AULA 5 PARA DIA 16/09/09
Desmatamento da Amazônia
A floresta Amazônica continua a ser uma das maiores do planeta. Atualmente, só a
Federação Russa e o Canadá, no hemisfério norte, além do Congo, na África, possuem grandes extensões de matas primárias semelhantes. Quanto à biodiversidade, não há floresta no mundo comparável a ela. Com uma flora riquíssima - mais de 30 mil espécies de plantas -, que inclui um terço de toda a madeira tropical disponível no mundo, a Amazônia brasileira já perdeu 13,31% da mata original, o equivalente ao território da França. De acordo com relatório da ONG Amigos da Terra e do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), os estados do Pará, de Mato Grosso e de Rondônia lideram o ranking de desmatamento para extração de madeira. Os três estados compõem também a principal frente de colonização agrícola do país.
A devastação repete um ciclo bem conhecido no Brasil. Os fazendeiros e colonos derrubam a floresta para plantar pastagens, vendendo as árvores cortadas às madeireiras. Estas, especialmente as que trabalham na clandestinidade, atuam como parceiras no processo de destruição, ao viabilizar o desmatamento nas propriedades rurais, embora também ajam isoladamente em várias áreas da floresta. Conforme estimativas do Ibama, órgão do governo brasileiro responsável por aplicar a política de preservação do meio ambiente, elas foram responsáveis pela abertura de mais de 3 mil km de estradas ilegais, nos últimos anos, só no sul do Pará. Ainda segundo o Ibama, atuam na região mais de 2 mil madeireiras, das quais 27 multinacionais, a maioria de origem asiática.
O Greenpeace afirma que a atuação das madeireiras cresceu 25% na Amazônia em 1999, em virtude da desvalorização do real e da recuperação das economias do Sudeste Asiático. A ONG revela também que apenas 30% da madeira ilegal extraída na região consegue ser apreendida pelos fiscais do Ibama. Os levantamentos feitos pelo Inpe por meio de satélites mostram que, entre 1994 e 1995, foram desmatados na Amazônia 29 mil km²; em 1995/1996, esse índice cai para 18 mil km², atingindo 13 mil km² entre 1996 e 1997. No período seguinte (1997/1998), ele volta a subir, atingindo 17 mil km², e, segundo estimativas do instituto, deve manter-se estável entre 1998 e 1999.
De acordo comn o Inpe, o pico de desmatamento verificado em 1994/1995 pode ser
explicado principalmente pela falta de fiscalização. Depois dele, as pressões das ONGs, inclusive internacionais, fizeram com que os números caíssem e se estabilizassem. Para o Inpe, no entanto, o ideal seria que esse número regredisse até os 12 mil km²/ano. No
entanto, um estudo feito pelo Instituto de Pesquisas Ambientais da Amazônia (Ipam) e pelo Centro de Pesquisas Woods Hole (EUA) e divulgado em abril de 1999 mostra que esse índice de desmatamento pode ser ainda maior. De acordo com essa pesquisa, outros 10 a 15 mil km² da floresta são atingidos a cada ano, sem que possam ser detectados pelos satélites. A área desmatada na região, assim, poderia ser duas vezes maior do que apontam os números do Inpe. Segundo o Ipam, os dados do governo consideram apenas os chamados cortes rasos - que não deixam nenhuma árvore em pé -, não levando em conta as queimadas e a exploração seletiva da madeira. Outro levantamento feito pelo Inpe revela que cerca de 15% das áreas exploradas pelas madeireiras se integram depois ao sistema produtivo, sendo ocupadas por atividades agropecuárias, muitas vezes também ilegais. Além disso, em torno de 70% da área desmatada entre 1991 e 1996 encontra-se em locais próximos às estradas. Ela coincide justamente com os eixos do desenvolvimento abertos pelo Programa de Integração Nacional, ainda na época do regime militar, que continuam a ser explorados até hoje. Os projetos do governo federal para o assentamento de colonos efetuados nos últimos 30 anos ocuparam 261 mil km² da Amazônia Legal. Somados aos 60 mil km² loteados pelos programas de colonização dos estados amazônicos no mesmo período, chega-se a um total de 321 mil km² já desmatados. Diante das graves ameaças à floresta, o Ministério de Política Fundiária baixa, em outubro de 1999, uma portaria que proíbe a desapropriação de terras para fins de reforma agrária em locais de mata primária. Entretanto, a Amazônia ainda corre o risco de perder parte da vegetação para a cultura da soja, que nos últimos anos se tem difundido na região. Detentores de grande poder econômico, os plantadores de soja compram áreas já desmatadas, ocupadas atualmente por pastagens e outras culturas, para manter o ritmo de expansão agrícola. Os criadores de gado e os pequenos agricultores então se transferem para regiões ainda cobertas pela floresta, onde promovem mais desmatamento para continuar suas atividades. Em março de 1999, o Ministério do Meio Ambiente também estabelece uma medida para limitar a ação das famílias que vivem da agricultura na Amazônia. Segundo ela, cada família só poderá desmatar, no máximo, 3 ha/ano de florestas nativas para produção. Esse limite pode chegar a 5 ha, no caso das posses coletivas.
Amazônia, Números conflitantes, Ação das madeireiras, Planos de assentamento,
O Brasil, com 5,5 milhões de quilômetros quadrados de matas, ocupa o segundo lugar entre os países com a maior cobertura florestal remanescente no mundo. Fica atrás apenas da Federação Russa. No entanto, o país perde anualmente mais de 20 mil quilômetros quadrados de vegetação nativa por causa da derrubada de árvores e de incêndios florestais provocados pela ocupação humana – ou seja, quase quatro vezes a área do Distrito Federal.
Amazônia – A floresta Amazônica continua a ser uma das maiores do planeta. Só a Federação Russa e o Canadá, no hemisfério norte, além do Congo, na África, possuem grandes extensões de matas primárias semelhantes. Quanto à biodiversidade, não há
floresta no mundo comparável com a Amazônica. São 30 mil espécies de plantas e 2,5 mil espécies de árvores – um terço da madeira tropical do planeta. Esse patrimônio, entretanto, é ameaçado pelo desmatamento. Cálculos do Instituto Nacional de Pesquisas
Espaciais (Inpe) baseados em levantamentos por satélite indicam que a área devastada na Amazônia entre agosto de 1998 e agosto de 1999 chega a 17.259 quilômetros qua -
drados e que em 1999 a região já havia perdido um total de quase 570 mil quilômetros quadrados, ou seja, 13,9% da mata original, um território o equivalente ao da França. Estimativas do Ministério do Meio Ambiente baseadas em dados do Inpe indicam que esse porcentual pode ter atingido 14,3% em 2000, com 19.836 quilômetros quadrados de áreas desmatadas, quase o tamanho de El Salvador.
Números conflitantes – Há ambientalistas e instituições de pesquisa que consideram os números do Inpe inferiores aos da devastação real. De acordo com o Greenpeace, o satélite TM-Lansat, usado nos estudos do instituto, não capta o desmatamento de áreas inferiores a 6,4 hectares e, portanto, não inclui a devastação causada em pequenas propriedades. Um estudo feito pelo Instituto de Pesquisas Ambientais da Amazônia (Ipam) e pelo Centro de Pesquisas Woods Hole (EUA) e divulgado em abril de 1999 mostra que de 10 mil a 15 mil quilômetros quadrados da floresta são atingidos a cada ano, sem que isso seja detectado pelos satélites. A área desmatada na região, assim, pode ser duas vezes maior que a indicada pelo Inpe. Segundo o Ipam, os dados do governo consideram apenas os cortes rasos – que não deixam nenhuma árvore em pé –, não levando em conta as queimadas e a exploração seletiva da madeira.
Ação das madeireiras – A devastação repete um ciclo bem conhecido no Brasil. Os fazendeiros e colonos derrubam a floresta para plantar pastagens e vendem as árvores cortadas às madeireiras. Essas, especialmente as que trabalham na clandestinidade, atuam como parceiras no processo de destruição ao viabilizar o desmatamento nas propriedades rurais, além de agir isoladamente em várias áreas da floresta. Conforme estimativas do Ibama, elas foram responsáveis pela abertura de mais de 3 mil quilômetros de estradas ilegais nos últimos anos só no sul do Pará. Ainda segundo o Ibama, atuam na região mais de 2 mil madeireiras, das quais 27 multinacionais, a maioria de origem asiática. Para o Greenpeace, porém, o setor madeireiro já contaria com 7.595 empresas registradas na Amazônia. Um comunicado dessa ONG garante que, em 2000, o Pará exportou para o Reino Unido 13 mil metros cúbicos de madeira – e que toda essa produção não provém "de fontes social e ambientalmente responsáveis e certificadas".
Planos de assentamento – Os projetos do governo federal para o assentamento de colonos efetuados nos últimos 30 anos ocuparam 261 mil quilômetros quadrados da Amazônia Legal. Somados aos 60 mil quilômetros quadrados loteados pelos programas de colonização dos estados amazônicos no mesmo período, eles significam um total de 321 mil quilômetros quadrados já desmatados. Diante das graves ameaças à floresta, o Ministério de Política Fundiária proíbe, em outubro de 1999, a desapropriação de terras para fins de reforma agrária em locais de mata primária. Entretanto, a Amazônia ainda corre o risco de perder parte da vegetação para a cultura da soja, que nos últimos anos tem se difundido na região, por meio da aquisição de áreas desmatadas para a agropecuária ou para cultivo de outros produtos. Em março de 1999, o Ministério do Meio Ambiente limita a ação das famílias que vivem da agricultura na Amazônia ao determinar que cada uma só possa desmatar, no máximo, 3 hectares ao ano de florestas nativas para produção. E, em 2001, o ministério institui o Licenciamento Ambiental em Propriedade Rural em municípios do Pará e de Rondônia, estados responsáveis por 80% do desmatamento da Amazônia, entre 1997 e 1999, segundo o Inpe. O objetivo da medida é melhorar a fiscalização e incentivar pequenos agricultores – donos de áreas com menos de 150hectares – a adotar planos de manejo florestal sustentável.
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segunda-feira, 14 de setembro de 2009
ENEM - AULA 15/09 - BIOLOGIA - Profª. Patrícia
PROTOZOOSES – CICLOS DE VIDA
LEISHIMANIOSE ( Leishimania braziliensis)
GIARDÍASE ( Giárdia lamblia)
MALÁRIA (Plasmodium vivax, Plasmodium malariae e Plasmodium falciparum)
TOXOPLASMOSE (Toxoplasma gondii)
VERMINOSES (Vermes Platelmintos)
TENÌASE (Taenia solium e Taenia saginata)
ESQUISTOSSOMOSE OU BARRIGA D’ÁGUA ( Schistossoma mansoni)
Vermes nematelmintos
ANCILOSTOMOSE OU AMARELÃO ( Ancylostoma duodenale ou Necator americanus)
ASCARIDÍASE ( Ascaris lumbricoides)
ENTEROBIOSE OU OXIUROSE(Enterobius vermicularis )
FILARIOSE OU OXIUROSE (Wuchereria bancrofti)
LEISHIMANIOSE ( Leishimania braziliensis)
GIARDÍASE ( Giárdia lamblia)
MALÁRIA (Plasmodium vivax, Plasmodium malariae e Plasmodium falciparum)
TOXOPLASMOSE (Toxoplasma gondii)
VERMINOSES (Vermes Platelmintos)
TENÌASE (Taenia solium e Taenia saginata)
ESQUISTOSSOMOSE OU BARRIGA D’ÁGUA ( Schistossoma mansoni)
Vermes nematelmintos
ANCILOSTOMOSE OU AMARELÃO ( Ancylostoma duodenale ou Necator americanus)
ASCARIDÍASE ( Ascaris lumbricoides)
ENTEROBIOSE OU OXIUROSE(Enterobius vermicularis )
FILARIOSE OU OXIUROSE (Wuchereria bancrofti)
ENEM - AULA 15/09 - BIOLOGIA - Profª. PATRÍCIA
Os vírus são organismos que não apresentam células: são formados por um capsídeo (cápsula de proteínas, ligadas a lipídios ou glicídeos), envolvendo o ácido nucleico, que pode ser o ácido ribonucleico (RNA) ou o desoxirribonucleico (DNA).
Os vírus não apresentam organelas celulares, como mitocôndrias (responsáveis pela produção de energia) e ribossomos (orgânulos que sintetizam proteínas). Por esse motivo, só conseguem reproduzir seu material genético e realizar as demais atividades metabólicas quando parasitam as células de outros organismos. Eles podem atingir o interior das células de três formas diferentes. “O vírus pode deixar todo o conjunto de sua cápsula fora da célula, introduzindo apenas o seu material genético; pode entrar com a cápsula; ou pode entrar envelopado, com um pedaço da membrana da célula hospedeira”.
No interior da célula, o material genético se replica e comanda a síntese de proteínas da cápsula, dando origem a novos vírus, que irão infectar novas células. Os vírus podem utilizar dois tipos de ciclos para a sua reprodução: o lítico, quando destroem as células que os hospedam, e o lisogênico, em que o DNA ou RNA viral se incorpora ao DNA da célula infectada, reproduzindo-se a cada divisão celular.
Gripe
A gripe é causada pelo vírus influenza, que pode ser classificado em três tipos: A, B ou C. O tipo C provoca doenças respiratórias brandas. Ele não causa epidemias (quando uma doença se desenvolve num local de forma rápida), ao contrário do B. O tipo A é o mais grave e pode provocar pandemia (de maior proporção em relação à epidemia), além de envolver hospedeiros animais. Esse vírus apresenta vários subtipos, entre eles o H2N2, o H3N2 e o H1N1, causador da gripe suína.
O vírus clássico da gripe suína foi isolado pela primeira vez em 1930. O vírus que tem assustado a população mundial é um híbrido, com componentes da gripe humana e da gripe aviária. “O novo vírus da gripe suína é tão agressivo como o da gripe aviária e tão contagioso como o da gripe humana”. O vírus pode tornar-se hibrido quando mais de uma cepa (tipo de vírus) parasita uma mesma célula e seus materiais genéticos se combinam, dando origem a uma nova forma.
O influenza é um vírus de RNA, assim como aqueles que causam a aids, a poliomielite, a raiva e a encefalite. No caso do vírus da gripe, o RNA viral se multiplica dentro da célula e orienta a formação de um RNA mensageiro, que comanda a síntese das proteínas da cápsula. Cópias do micro-organismo brotam da superfície da célula infectada, levando consigo um pedaço de membrana (envelope). Eles podem provocar a “explosão” da célula, mas muitas vezes não a destroem. Já os retrovírus, como o causador da aids, contêm a enzima transcriptase reversa, capaz de produzir um DNA a partir do RNA viral. O DNA passa para o núcleo da célula hospedeira, onde se liga ao cromossomo e comanda o processo de síntese proteica e de formação de outros RNA virais. Os novos vírus são, então, envolvidos por fragmentos da membrana celular da célula hospedeira e liberados no organismo.
PROTOZOOSES
Os vírus não apresentam organelas celulares, como mitocôndrias (responsáveis pela produção de energia) e ribossomos (orgânulos que sintetizam proteínas). Por esse motivo, só conseguem reproduzir seu material genético e realizar as demais atividades metabólicas quando parasitam as células de outros organismos. Eles podem atingir o interior das células de três formas diferentes. “O vírus pode deixar todo o conjunto de sua cápsula fora da célula, introduzindo apenas o seu material genético; pode entrar com a cápsula; ou pode entrar envelopado, com um pedaço da membrana da célula hospedeira”.
No interior da célula, o material genético se replica e comanda a síntese de proteínas da cápsula, dando origem a novos vírus, que irão infectar novas células. Os vírus podem utilizar dois tipos de ciclos para a sua reprodução: o lítico, quando destroem as células que os hospedam, e o lisogênico, em que o DNA ou RNA viral se incorpora ao DNA da célula infectada, reproduzindo-se a cada divisão celular.
Gripe
A gripe é causada pelo vírus influenza, que pode ser classificado em três tipos: A, B ou C. O tipo C provoca doenças respiratórias brandas. Ele não causa epidemias (quando uma doença se desenvolve num local de forma rápida), ao contrário do B. O tipo A é o mais grave e pode provocar pandemia (de maior proporção em relação à epidemia), além de envolver hospedeiros animais. Esse vírus apresenta vários subtipos, entre eles o H2N2, o H3N2 e o H1N1, causador da gripe suína.
O vírus clássico da gripe suína foi isolado pela primeira vez em 1930. O vírus que tem assustado a população mundial é um híbrido, com componentes da gripe humana e da gripe aviária. “O novo vírus da gripe suína é tão agressivo como o da gripe aviária e tão contagioso como o da gripe humana”. O vírus pode tornar-se hibrido quando mais de uma cepa (tipo de vírus) parasita uma mesma célula e seus materiais genéticos se combinam, dando origem a uma nova forma.
O influenza é um vírus de RNA, assim como aqueles que causam a aids, a poliomielite, a raiva e a encefalite. No caso do vírus da gripe, o RNA viral se multiplica dentro da célula e orienta a formação de um RNA mensageiro, que comanda a síntese das proteínas da cápsula. Cópias do micro-organismo brotam da superfície da célula infectada, levando consigo um pedaço de membrana (envelope). Eles podem provocar a “explosão” da célula, mas muitas vezes não a destroem. Já os retrovírus, como o causador da aids, contêm a enzima transcriptase reversa, capaz de produzir um DNA a partir do RNA viral. O DNA passa para o núcleo da célula hospedeira, onde se liga ao cromossomo e comanda o processo de síntese proteica e de formação de outros RNA virais. Os novos vírus são, então, envolvidos por fragmentos da membrana celular da célula hospedeira e liberados no organismo.
PROTOZOOSES
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
ENEM - AULA 08/09/2009 - BIOLOGIA - Profª. Patrícia
PROTEÍNAS
Conceito: são compostos orgânicos de alto peso molecular, são formadas pelo encadeamento de aminoácidos. Representam cerca do 50 a 80% do peso seco da célula sendo, portanto, o composto orgânico mais abundante de matéria viva. Uma molécula protéica contém desde algumas dezenas até mais de 1.000 aminoácidos. 0 peso molecular vai de 10.000 a 2.800.000. A molécula de hemoglobina, por exemplo, é formada por 574 aminoácidos e tem peso molecular de 68.000. Justifica-se, assim, o fato de as moléculas protéicas estarem incluídas entre as macromoléculas.
Classificação: pode-se classificar as proteínas em três grupos:.
- Proteínas simples - São também denominadas de homoproteínas e são constituídas, exclusivamente por aminoácidos. Em outras palavras, fornecem exclusivamente uma mistura de aminoácidos por hidrólise. Pode-se mencionar como exemplo:
As Albuminas
- São as de menor peso molecular
- São encontradas nos animais e vegetais.
- São solúveis na água.
Exemplos: albumina do plasma sangüíneo e da clara do ovo.
As Globulinas
- Possuem um peso molecular um pouco mais elevado.
- São encontradas nos animais e vegetais
- São solúveis em água salgada.
Exemplos: anticorpos e fibrinogênio.
As Escleroproteínas ou proteínas fibrosas
- Possuem peso molecular muito elevado.
- São exclusivas dos animais.
- São insolúveis na maioria dos solventes orgânicos.
Exemplos: colágeno, elastina e queratina.
Proteínas Conjugadas
- São também denominadas heteroproteínas. As proteínas conjugadas são constituídas por aminoácidos mais outro componente não-protéico, chamado grupo prostético. Dependendo do grupo prostético, tem-se:
.
Proteínas conjugadas Grupo prostético Exemplo
Cromoproteínas pigmento hemoglobina, hemocianina e citocromos
Fosfoproteínas ácido fosfórico caseína (leite)
Glicoproteínas carboidrato mucina (muco)
Lipoproteínas lipídio encontradas na membrana celular e no vitelo dos ovos
Nucleoproteínas ácido nucléico ribonucleoproteínas e desoxirribonucleoproteínas
Proteínas Derivadas
As proteínas derivadas formam-se a partir de outras por desnaturação ou hidrólise. Pode-se citar como exemplos desse tipo de proteínas as proteoses e as peptonas, formadas durante a digestão.
________________________________________ A DESNATURAÇÃO DAS PROTEÍNAS
________________________________________
A desnaturação é um processo, geralmente irreversível, que consiste na quebra das estruturas secundária e terciária de uma proteína.
Uma proteína difere de outra:
1) Pelo número de aminoácidos
2) Pelo tipo de aminoácidos.
3) Pela seqüência dos aminoácidos
4) Pelo formato da molécula
Conclui-se, então, que podendo repetir-se à vontade os 20 tipos de aminoácidos e, ainda, combinando-se de várias formas a partir das diferenças que acabamos de examinar, uma célula pode produzir muitas proteínas diferentes. Imagina-se, então, quantas proteínas podem ser produzidas por todos os seres vivos.
________________________________________
FUNÇÕES
.
Funções: as proteínas podem ser agrupadas em várias categorias de acordo com a sua função. De uma maneira geral, as proteínas desempenham nos seres vivos as seguintes funções: estrutural, enzimática, hormonal, de defesa, nutritivo, coagulação sangüínea e transporte.
Função estrutural - participam da estrutura dos tecidos.
Exemplos:
- Colágeno: proteína de alta resistência, encontrada na pele, nas cartilagens, nos ossos e tendões.
- Actina e Miosina: proteínas contráteis, abundantes nos músculos, onde participam do mecanismo da contração muscular,
- Queratina: proteína impermeabilizante encontrada na pele, no cabelo e nas unhas, Evita a dessecação, a que contribui para a adaptação do animal à vida terrestre.
- Albumina: proteína mais abundante do sangue, relacionada com a regulação osmótica e com a viscosidade do plasma (porção líquida do sangue),
Função enzimática - toda enzima é uma proteína. As enzimas são fundamentais como moléculas reguladoras das reações biológicas. Dentre as proteínas com função enzimática podemos citar, como exemplo, as lipases - enzimas que transformam os lipídios em sua unidades constituintes, como os ácidos graxos e glicerol.
Função hormonal - muitos hormônios de nosso organismo são de natureza protéica. Resumidamente, podemos caracterizar os hormônios como substãncias elaboradas pelas glândulas endócrinas e que, uma vez lançadas no sangue, vão estimular ou inibir a atividade de certos órgãos. É o caso do insulina, hormônio produzido no pâncreas e que se relaciona com e manutenção da glicemia (taxa de glicose no sangue).
Função de defesa - existem células no organismo capazes de "reconhecer" proteínas "estranhas" que são chamadas de antígenos. Na presença dos antígenos o organismo produz proteínas de defesa, denominados anticorpos. 0 anticorpo combina-se, quimicamente, com o antígeno, do maneira a neutralizar seu efeito. A reação antígeno-anticorpo é altamente específica, o que significa que um determinado anticorpo neutraliza apenas o antígeno responsável pela sua formação.
Os anticorpos são produzidos por certas células de corpo (como os linfócitos, um dos tipos de glóbulo branco do sangue). São proteínas denominadas gamaglobulinas.
Função nutritiva - as proteínas servem como fontes de aminoácidos, incluindo os essenciais requeridos pelo homem e outros animais. Esses aminoácidos podem, ainda, ser oxidados como fonte de energia no mecanismo respiratório. Nos ovos de muitos animais (como os das aves) o vitelo, material que se presta à nutrição do embrião, é particularmente rico em proteínas.
Coagulação sangüínea - vários são os fatores da coagulação que possuem natureza protéica, como por exemplo: fibrinogênio, globulina anti-hemofílica, etc...
Transporte - pode-se citar como exemplo a hemoglobina, proteína responsável pelo transporte de oxigênio no sangue.
RNA E A SÍNTESE DE PROTEÍNAS
A MOLÉCULA
A molécula de RNA é um polinucleotídeo.
Cada nucleotídeo de RNA é constituído por:
• fosfato (P)
• ribose (R)
• base nitrogenada (A – adenina, G – guanina, C – citosina e U – uracila)
Nas células existem três tipos de RNA, que são diferentes na estrutura, peso molecular e função:
RNAm – RNA mensageiro: É sintetizado no núcleo ou no citoplasma. Sua cadeia tem tamanho e peso molecular de acordo com a proteína que irá sintetizar. É formado por uma seqüência de triplets ou trincas de bases especializadas em codificar um tipo de aminoácido. Quando codifica mais de um aminoácido diz-se que o código é degenerado. Quando o DNA é duplicado pode ocorrer a substituição errada de uma ou mais bases nitrogenadas, alterando um ou mais códons. Nesse caso poderão ocorrer alterações nas características do indivíduo, é o que se chama mutação gênica.
RNAt – RNA transportador: Tem a cadeia molecular mais curta, comportando de 75 a 100 nucleotídeos. É sintetizado no núcleo e depois migra para o citoplasma onde vai ligar-se especificamente a determinado aminoácido e transportá-lo até o RNAm. Em uma das extremidades ele possui uma trinca de nucleotídeos específica, denominada anticódon, que irá codificar o aminoácido a ser transportado, e na outra extremidade todos eles possuem a trinca ACC, onde o aminoácido se liga.
RNAr – RNA ribossômico: É o RNA de cadeia mais longa e maior peso molecular. É sintetizado e armazenado no nucléolo. Posteriormente associa-se a moléculas de proteínas e forma os ribossomos.
A SÍNTESE DO RNA
A molécula de RNA é sintetizada a partir do DNA.
A molécula de DNA se abre em certos locais, ficando alguns nucleotídeos livres das pontes de hidrogênio.
Com o auxílio da enzima RNA-polimerase, nucleotídeos de RNA vão se pareando com os nucleotídeos livres do DNA.
Forma-se uma molécula de RNA que se separa e migra para o citoplasma.
O DNA volta a se unir.
Nesse processo ocorre a transcrição do código do DNA para o RNA. Cada trinca ou triplet de nucleotídeos encerra uma parcela do código chamada de códon.
Nas células procariotas esse processo ocorre no citoplasma, uma vez que as mesmas não possuem núcleo individualizado.
A SÍNTESE DE PROTEÍNAS
As reações químicas celulares são catalisadas por enzimas específicas que são moléculas de proteínas com função catalisadora.
A síntese de proteínas é controlada pelo RNA que por sua vez é sintetizado a partir do DNA.
Existe, portanto, uma ligação indireta entre o DNA e as proteínas.
O DNA está no núcleo e a proteína é sintetizada no citoplasma, o agente intermediário é o RNA.
Várias experiências demonstraram que o DNA contém um código molecular (código genético) que é transcrito para o RNA. Este, através de um processo de tradução, reconhece os componentes da proteína, que são os aminoácidos.
Na síntese de proteínas, a primeira coisa que acontece é um processo de seleção de aminoácidos realizado por enzimas ativadoras, resultando compostos denominados aminoacil-adenilatos. Acredita-se mesmo que aja pelo menos uma enzima ativadora específica para cada um dos aminoácidos que devem ser incorporados para a fabricação da proteína.
Essa ativação de aminoácidos requer energia, que é fornecida pelo ATP (trifosfato de adenosina).
Em seguida, o aminoácido une-se a uma molécula específica de RNA-t. Já foi descrito anteriormente que o RNA-t é uma cadeia molecular simples, enrolada sobre si mesma, constituída por uma seqüência de nucleotídeos, terminando em todos os casos na trinca ACC, onde o aminoácido irá se ligar. E na outra extremidade da cadeia fica a trinca denominado anticódon.
O anticódon determina qual aminoácido se ligará ao RNA-t.
Em seguida ocorre a transcrição, ou seja, a transferência do código do DNA para o RNA-m.
No processo de tradução, os ribossomos, percorrendo a moléculas de RNA-m, de extremo a extremo, alinham as moléculas de RNA-t, com seus aminoácidos, nos códons do RNA-m, complementares aos anticódons do RNA-t.
Os aminoácidos vão se ligando e formando uma molécula de proteína (polipeptídio).
Após a tradução da mensagem do RNA-m, outro ribossomo pode ligar-se ao extremo de outra molécula de RNA-m e, assim, outra molécula de proteína é sintetizada.
Conceito: são compostos orgânicos de alto peso molecular, são formadas pelo encadeamento de aminoácidos. Representam cerca do 50 a 80% do peso seco da célula sendo, portanto, o composto orgânico mais abundante de matéria viva. Uma molécula protéica contém desde algumas dezenas até mais de 1.000 aminoácidos. 0 peso molecular vai de 10.000 a 2.800.000. A molécula de hemoglobina, por exemplo, é formada por 574 aminoácidos e tem peso molecular de 68.000. Justifica-se, assim, o fato de as moléculas protéicas estarem incluídas entre as macromoléculas.
Classificação: pode-se classificar as proteínas em três grupos:.
- Proteínas simples - São também denominadas de homoproteínas e são constituídas, exclusivamente por aminoácidos. Em outras palavras, fornecem exclusivamente uma mistura de aminoácidos por hidrólise. Pode-se mencionar como exemplo:
As Albuminas
- São as de menor peso molecular
- São encontradas nos animais e vegetais.
- São solúveis na água.
Exemplos: albumina do plasma sangüíneo e da clara do ovo.
As Globulinas
- Possuem um peso molecular um pouco mais elevado.
- São encontradas nos animais e vegetais
- São solúveis em água salgada.
Exemplos: anticorpos e fibrinogênio.
As Escleroproteínas ou proteínas fibrosas
- Possuem peso molecular muito elevado.
- São exclusivas dos animais.
- São insolúveis na maioria dos solventes orgânicos.
Exemplos: colágeno, elastina e queratina.
Proteínas Conjugadas
- São também denominadas heteroproteínas. As proteínas conjugadas são constituídas por aminoácidos mais outro componente não-protéico, chamado grupo prostético. Dependendo do grupo prostético, tem-se:
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Proteínas conjugadas Grupo prostético Exemplo
Cromoproteínas pigmento hemoglobina, hemocianina e citocromos
Fosfoproteínas ácido fosfórico caseína (leite)
Glicoproteínas carboidrato mucina (muco)
Lipoproteínas lipídio encontradas na membrana celular e no vitelo dos ovos
Nucleoproteínas ácido nucléico ribonucleoproteínas e desoxirribonucleoproteínas
Proteínas Derivadas
As proteínas derivadas formam-se a partir de outras por desnaturação ou hidrólise. Pode-se citar como exemplos desse tipo de proteínas as proteoses e as peptonas, formadas durante a digestão.
________________________________________ A DESNATURAÇÃO DAS PROTEÍNAS
________________________________________
A desnaturação é um processo, geralmente irreversível, que consiste na quebra das estruturas secundária e terciária de uma proteína.
Uma proteína difere de outra:
1) Pelo número de aminoácidos
2) Pelo tipo de aminoácidos.
3) Pela seqüência dos aminoácidos
4) Pelo formato da molécula
Conclui-se, então, que podendo repetir-se à vontade os 20 tipos de aminoácidos e, ainda, combinando-se de várias formas a partir das diferenças que acabamos de examinar, uma célula pode produzir muitas proteínas diferentes. Imagina-se, então, quantas proteínas podem ser produzidas por todos os seres vivos.
________________________________________
FUNÇÕES
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Funções: as proteínas podem ser agrupadas em várias categorias de acordo com a sua função. De uma maneira geral, as proteínas desempenham nos seres vivos as seguintes funções: estrutural, enzimática, hormonal, de defesa, nutritivo, coagulação sangüínea e transporte.
Função estrutural - participam da estrutura dos tecidos.
Exemplos:
- Colágeno: proteína de alta resistência, encontrada na pele, nas cartilagens, nos ossos e tendões.
- Actina e Miosina: proteínas contráteis, abundantes nos músculos, onde participam do mecanismo da contração muscular,
- Queratina: proteína impermeabilizante encontrada na pele, no cabelo e nas unhas, Evita a dessecação, a que contribui para a adaptação do animal à vida terrestre.
- Albumina: proteína mais abundante do sangue, relacionada com a regulação osmótica e com a viscosidade do plasma (porção líquida do sangue),
Função enzimática - toda enzima é uma proteína. As enzimas são fundamentais como moléculas reguladoras das reações biológicas. Dentre as proteínas com função enzimática podemos citar, como exemplo, as lipases - enzimas que transformam os lipídios em sua unidades constituintes, como os ácidos graxos e glicerol.
Função hormonal - muitos hormônios de nosso organismo são de natureza protéica. Resumidamente, podemos caracterizar os hormônios como substãncias elaboradas pelas glândulas endócrinas e que, uma vez lançadas no sangue, vão estimular ou inibir a atividade de certos órgãos. É o caso do insulina, hormônio produzido no pâncreas e que se relaciona com e manutenção da glicemia (taxa de glicose no sangue).
Função de defesa - existem células no organismo capazes de "reconhecer" proteínas "estranhas" que são chamadas de antígenos. Na presença dos antígenos o organismo produz proteínas de defesa, denominados anticorpos. 0 anticorpo combina-se, quimicamente, com o antígeno, do maneira a neutralizar seu efeito. A reação antígeno-anticorpo é altamente específica, o que significa que um determinado anticorpo neutraliza apenas o antígeno responsável pela sua formação.
Os anticorpos são produzidos por certas células de corpo (como os linfócitos, um dos tipos de glóbulo branco do sangue). São proteínas denominadas gamaglobulinas.
Função nutritiva - as proteínas servem como fontes de aminoácidos, incluindo os essenciais requeridos pelo homem e outros animais. Esses aminoácidos podem, ainda, ser oxidados como fonte de energia no mecanismo respiratório. Nos ovos de muitos animais (como os das aves) o vitelo, material que se presta à nutrição do embrião, é particularmente rico em proteínas.
Coagulação sangüínea - vários são os fatores da coagulação que possuem natureza protéica, como por exemplo: fibrinogênio, globulina anti-hemofílica, etc...
Transporte - pode-se citar como exemplo a hemoglobina, proteína responsável pelo transporte de oxigênio no sangue.
RNA E A SÍNTESE DE PROTEÍNAS
A MOLÉCULA
A molécula de RNA é um polinucleotídeo.
Cada nucleotídeo de RNA é constituído por:
• fosfato (P)
• ribose (R)
• base nitrogenada (A – adenina, G – guanina, C – citosina e U – uracila)
Nas células existem três tipos de RNA, que são diferentes na estrutura, peso molecular e função:
RNAm – RNA mensageiro: É sintetizado no núcleo ou no citoplasma. Sua cadeia tem tamanho e peso molecular de acordo com a proteína que irá sintetizar. É formado por uma seqüência de triplets ou trincas de bases especializadas em codificar um tipo de aminoácido. Quando codifica mais de um aminoácido diz-se que o código é degenerado. Quando o DNA é duplicado pode ocorrer a substituição errada de uma ou mais bases nitrogenadas, alterando um ou mais códons. Nesse caso poderão ocorrer alterações nas características do indivíduo, é o que se chama mutação gênica.
RNAt – RNA transportador: Tem a cadeia molecular mais curta, comportando de 75 a 100 nucleotídeos. É sintetizado no núcleo e depois migra para o citoplasma onde vai ligar-se especificamente a determinado aminoácido e transportá-lo até o RNAm. Em uma das extremidades ele possui uma trinca de nucleotídeos específica, denominada anticódon, que irá codificar o aminoácido a ser transportado, e na outra extremidade todos eles possuem a trinca ACC, onde o aminoácido se liga.
RNAr – RNA ribossômico: É o RNA de cadeia mais longa e maior peso molecular. É sintetizado e armazenado no nucléolo. Posteriormente associa-se a moléculas de proteínas e forma os ribossomos.
A SÍNTESE DO RNA
A molécula de RNA é sintetizada a partir do DNA.
A molécula de DNA se abre em certos locais, ficando alguns nucleotídeos livres das pontes de hidrogênio.
Com o auxílio da enzima RNA-polimerase, nucleotídeos de RNA vão se pareando com os nucleotídeos livres do DNA.
Forma-se uma molécula de RNA que se separa e migra para o citoplasma.
O DNA volta a se unir.
Nesse processo ocorre a transcrição do código do DNA para o RNA. Cada trinca ou triplet de nucleotídeos encerra uma parcela do código chamada de códon.
Nas células procariotas esse processo ocorre no citoplasma, uma vez que as mesmas não possuem núcleo individualizado.
A SÍNTESE DE PROTEÍNAS
As reações químicas celulares são catalisadas por enzimas específicas que são moléculas de proteínas com função catalisadora.
A síntese de proteínas é controlada pelo RNA que por sua vez é sintetizado a partir do DNA.
Existe, portanto, uma ligação indireta entre o DNA e as proteínas.
O DNA está no núcleo e a proteína é sintetizada no citoplasma, o agente intermediário é o RNA.
Várias experiências demonstraram que o DNA contém um código molecular (código genético) que é transcrito para o RNA. Este, através de um processo de tradução, reconhece os componentes da proteína, que são os aminoácidos.
Na síntese de proteínas, a primeira coisa que acontece é um processo de seleção de aminoácidos realizado por enzimas ativadoras, resultando compostos denominados aminoacil-adenilatos. Acredita-se mesmo que aja pelo menos uma enzima ativadora específica para cada um dos aminoácidos que devem ser incorporados para a fabricação da proteína.
Essa ativação de aminoácidos requer energia, que é fornecida pelo ATP (trifosfato de adenosina).
Em seguida, o aminoácido une-se a uma molécula específica de RNA-t. Já foi descrito anteriormente que o RNA-t é uma cadeia molecular simples, enrolada sobre si mesma, constituída por uma seqüência de nucleotídeos, terminando em todos os casos na trinca ACC, onde o aminoácido irá se ligar. E na outra extremidade da cadeia fica a trinca denominado anticódon.
O anticódon determina qual aminoácido se ligará ao RNA-t.
Em seguida ocorre a transcrição, ou seja, a transferência do código do DNA para o RNA-m.
No processo de tradução, os ribossomos, percorrendo a moléculas de RNA-m, de extremo a extremo, alinham as moléculas de RNA-t, com seus aminoácidos, nos códons do RNA-m, complementares aos anticódons do RNA-t.
Os aminoácidos vão se ligando e formando uma molécula de proteína (polipeptídio).
Após a tradução da mensagem do RNA-m, outro ribossomo pode ligar-se ao extremo de outra molécula de RNA-m e, assim, outra molécula de proteína é sintetizada.
terça-feira, 1 de setembro de 2009
ENEM - AULA 03 - GEOGRAFIA - TEXTOS - GRÁFICOS - CHARGES - Profª GISELE
QUESTÕES SOCIAIS Urbanização
O MUNDO SUPERLOTADO
Congestionamentos monstruosos são um dos sinais do crescimento desordenado das cidades
Os recordes sucedem-se, de forma implacável. Fim da tarde de 24 de janeiro de 2008: a cidade de São Paulo tem 182 quilómetros de conges-tionamento - 30 quilómetros a mais que o recorde anterior, registrado dez dias antes. 11 de março, 8h30:183 quilómetros de carros entopem as principais vias da cidade. 10 de maio, 19h30: paulistanos enfrentam 266 quilómetros de trânsito parado. Motoristas e passageiros cada vez mais tempo presos nos carros, irritados, atrasados, perdendo compromissos.
Estima-se que os engarrafamentos cau¬sem prejuízos da ordem de 52 bilhões de reais a cada ano - o equivalente a 20% do Produto Interno Bruto da cidade com o desperdício de combustível, o desgaste de peças dos automóveis e, principalmen¬te, o consumo de horas que deveriam ser destinadas ao trabalho e produção. Transporte público ineficiente e falta de investimento estão na raiz do problema, mas o fato é que São Paulo tem carros demais porque tem gente demais vivendo e trabalhando na cidade.
Segundo o Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran), a frota de automóveis, motos, ônibus e caminhões licenciados na capital atingiu, no fim de fevereiro, a marca de 6 milhões. Estima-se que, nos horários de pico, 4 milhões de pes¬soas circulem - ou tentam circular - pelas ruas paulistanas. O número cje motoristas também cresce vertiginosamente: o Detran emite, a cada ano, 100 mil carteiras de ha¬bilitação, só na capital.
Engenheiros de trânsito e urbanistas calculam que, se nada for feito, São Paulo travará em cinco anos. Embora em escala menor, outras capitais, como Brasília, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, também vivem um nó górdio no trânsito. Esse é só um dos problemas causados pelo crescimento acele¬rado e desordenado das cidades brasileiras, que incham ano após ano.
Urbanização à brasileira
Entenda-se bem: urbanização não é sinônimo de crescimento das cidades. O termo descreve o aumento da proporção da população que mora nas cidades em relação à parcela que vive em zonas rurais. Em algumas (relativamente raras) cir¬cunstâncias, a urbanização de uma região pode ocorrer sem que haja crescimento real nas cidades - por exemplo, no caso de uma epidemia que provoque grande mortandade no campo. Mas não é isso o que ocorre normalmente. No geral, a desproporção é causada pelo êxodo rural - as pessoas deixam o campo em busca de melhores condições de vida na cidade.
Como regra, a urbanização é efeito dire-to da industrialização de uma sociedade. No Brasil, os dois fenómenos dão uma gui-nada efetiva a partir de meados do século XX. Até o Censo de 1940, apenas um terço dos brasileiros vivia nas cidades. Nas dé¬cadas seguintes, o crescimento industrial e a integração do território nacional por meio das rodovias e das telecomunicações transferem cada vez mais moradores dos campos para as cidades. Nos anos 1980, todas as regiões brasileiras já possuíam a maioria dos habitantes em centros ur-banos. Hoje, o país está entre as nações mais urbanizadas do mundo.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geo¬grafia e Estatística (IBGE), do total de 55 milhões de domicílios existentes no país, 84,7% estão em zonas urbanas. Esses domi¬cílios reúnem 83,3% da população brasileira A região mais urbanizada é a Sudeste, par¬ticularmente os estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Nesses estados se encontram duas das maiores regiões metropolitanas do planeta. São Paulo, com 18,8 milhões de habitantes, ocupa a quinta posição no ranking mundial da Organização das Nações Unidas (ONU). Ali se encontra mais de 10% da população do país, que é responsável por 25% do Produto Interno Bruto nacional. O Rio de Janeiro, a segunda metrópole brasi¬leira, com 11,7 milhões de habitantes, ocupa a 14a posição mundial.
A população f avelada cresce num ritmo quatro vezes superior ao do resto da população brasileira
Regiões metropolitanas
Efeito direto da urbanização, as regiões metropolitanas são criadas pela expansão da periferia, que leva à junção de municípios numa única mancha urbana O Brasil tem 31
regiões metropolitanas, que reúnem mais de um terço dos domicílios urbanos e 30% da população do país. A taxa de crescimento dessas regiões é muito superior à das demais
áreas: 2,01% entre 1991 e 2000, contra 1,38% nas regiões não-metropolitanas. Não é difícil entender por que tanta gente quer morar nas cidades. Em tese, os centros urbanos oferecem maiores oportunidades
de trabalho e renda, maior riqueza cultural e
melhor qualidade de vida. Acontece que a urbanização brasileira é marcada por desigualdades socioeconômicas - e existe muita miséria nos centros urbanos. Quanto
mais baixa a renda mensal por morador da casa, menor é o percentual de casas com saneamento básico: 81,9% dos domicílios
com renda per capita acima de cinco salá¬rios mínimos contam com todos os serviços de saneamento, mas, em lares com renda per capita abaixo de meio salário mínimo, essa
porcentagem é de 40%. O déficit habitacional é outro problema causado pela urbanização acelerada. Ao crescerem sem planejamento, as cidades não têm como ofertar moradia a todos os que nela chegam. Segundo o Ministério das Cidades, o Brasil precisa de 7,2 milhões de novas habitações. Quase 40% dessa de-manda está concentrada nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Como conseqüência dessa carência surgem os assentamentos irregulares, os loteamentos clandestinos, o crescimento
das favelas e a ocupação de espaços pú¬blicos, como praças, viadutos e margens de rios - o que também leva ao aumento da poluição. Segundo o IBGE, na última década a população das favelas cresceu num ritmo quatro vezes superior ao do resto da população. A Fundação Getulio Vargas prevê que a população favelada deverá mais do que dobrar em dez anos, atingindo 13,5 milhões de pessoas.
Critérios diferentes
Existem diversas maneiras de contar a população urbana e rural de um país. O critério usado pelo IBGE considera zona urbana toda sede de município e distrito, não importando o tamanho da população nem a densidade demográfica local. Já a Organização para a Cooperação e o Desen¬volvimento (OCDE), órgão que coordena políticas sociais dos 30 países mais ricos do mundo, um núcleo de habitantes só é considerado zona urbana se 85% dessa população viver numa área
com densidade demográfica superior a 150 habitantes por quilometro quadrado. Ou seja, enquanto a OCDE adota um critério puramente demográfico, a contagem no Brasil leva em conta aspectos administrativos.
O sistema brasileiro produz algumas distorções. Um relatório divulgado em 2006 pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) mostrou que ape¬nas 0,25% dos 8,5 milhões de quilômetros quadrados do território brasileiro é efetiva-mente urbanizado - uma área equivalente à do estado de Sergipe. Ou seja, o Brasil é mais rural do que se afirma. É importante notar que cabe às prefeituras definir ofi¬cialmente as áreas urbanas ou rurais. Como os impostos dos imóveis urbanos são mais altos, é comum a prática de inchar as áreas urbanas para ampliar a arrecadação.
Planeta apertado
A urbanização acelerada não é
prerro¬gativa apenas do Brasil. No
planeta todo a população concentra-se cada vez mais nas cidades. Desde que surgiram os primeiros centros urbanos, há cerca de 6 mil anos, na Mesopotâmia (atual Iraque), no decorrer da maior parte da história as cidades foram pe¬quenos e animados aglomerados de pessoas que se dedicavam a ofícios e ao comércio, cercadas por uma grande população rural. Até meados do século XIX, a população mundial que vivia em cidades jamais exce¬dera 7%. O quadro começou a mudar com a Revolução Industrial, no século XIX. Os avanços tecnológicos levaram ao desenvolvimento da indústria, que por sua vez passou a atrair cada vez mais gente para as cidades. Em 2008, um recorde: pela primeira vez na história, a maior parte da população mundial vive em centros urbanos.
Segundo a ONU, a taxa de crescimento das populações urbanas está caindo. Entre 1950 e 2007, a média anual ficou em 2,6%. As projeções indicam que entre 2007 e 2025 a taxa deve cair para 1,8% ao ano e para 1,3% até 2050. Ainda assim, até meados do século XXI, as cidades passarão dos atuais 3,3 bilhões de moradores para 6,4 bilhões. Por volta de 2050, pelos menos 70% da po-pulação mundial deverá viver nos centros urbanos (algumas projeções apontam 80%). Praticamente todo o crescimento popu-lacional mundial deve se concentrar nas cidades - principalmente nas regiões menos desenvolvidas. No Brasil, da população total de 254 milhões de habitantes projetada para 2050,93,6% estarão nas cidades.
Não é por falta de espaço que as cidades deixarão de crescer. Segundo um estudo da Universidade Columbia, nos EUA, as áreas urbanas só ocupam 3% das terras do planeta. Isso não significa que todas as cidades cresçam sempre no mesmo ritmo. São Paulo, por exemplo, deverá ter subido duas posições no rankingdas maiores me-trópoles até 2010
Mas deve voltar ao quinto lugar em 2025, com 21,4 milhões de habitantes, ultrapassada por cidades de regiões menos desenvolvi¬das, cujo crescimento urbano ocorre mais rapidamente (Nova Délhi, na índia, e Daca, em Bangladesh). O Rio de Janeiro deve cair: passará da atual 14a colocação para a 16a em 2015. Dez anos depois, deverá estar em 18° lugar, com 13,4 milhões de habitantes.
Em termos globais, os especialistas consideram que a urbanização constitui mais um fator de risco ao desenvolvi¬mento sustentável do planeta - ao lado da crise de energia e do aquecimento global. Se a tendência apontada pela ONU para os próximos 40 anos se con-firmar - ou seja, se a população urbana realmente dobrar até a metade deste século e se a área das cidades crescer na mesma proporção -, a produção agrí-cola pode sofrer grande impacto. E que, tradicionalmente, as maiores cidades foram assentadas sobre terras férteis. Considerando-se que, no máximo, 15% da superfície do planeta seja constituída de terras aráveis, se as cidades também dobrarem de tamanho, passando a ocu-par não mais 3%, mas 6% das terras, a urbanização promete ter forte impacto negativo sobre a produção agrícola.
Resumo
Urbanização
DEFINIÇÃO Urbanização é o crescimen-toda proporção entre a populaçãoque vive em cidades em comparação com os habitantes de zonas rurais.
BRASIL A urbanização começa, efeti-vamente, em meados do século XX, com o desenvolvimento industrial e a integração do país por rodovias e telecomunicações. Pelo Censo de 1940, apenas um terço dos brasileiros vivia nas cidades. Hoje, o Brasil está entre os países mais urbanizados do planeta, com mais de 83% da população vivendo nas cidades.
CRITÉRIOS Há diferentes critérios para avaliar a urbanização. O Brasil considera toda sede de município ou distrito como área urbana. Já, por exemplo, os países europeus adotam um critério puramen-te demográfico: consideram uma área urbana quando85%da população vive em zonas com mais de 150 habitantes por quilómetro quad ado.
MUNDO Em 2008, pela primeira vez na história, mais de metade da população mundial vive em cidades. A urbanização é mais acelerada nos países em desenvol-vimento ou pouco desenvolvidos. Segun¬do a ONU, em 2050,70% da população mundial viverá em centros urbanos.
MEGALÓPOLES São aglomerações urbanas com mais de 10 milhões de habitantes, segundo a ONU. São Paulo é a quinta maior metrópole do mundo. As megalópoles crescem mais rápido nos países em desenvolvimento, como (ndia, China e Bangladesh.
INCHAÇO A urbanização pode pro-vocar o fenómeno conhecido como inchaço urbano, em que um grande contingente populacional vem para uma cidade sem infra-estrutura para abrigartodo mundo. Issoacaba geran¬do cidades com déficit habitacional (sem moradia para todos), com falta de escolas, hospitais e transporte pre-cário-os grandes congestionamentos exemplificam isso.
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
ENEM - AULA 03 - Biologia - Profª. PATRÍCIA

ENEM
Data: 01.09.2009
Conceitos Pré –requisitados:
• Organelas citoplasmáticas: formas e funções
• Formas de obtenção de energia pelos seres vivos: processos aeróbios e anaeróbios.
• Engenharia genética , duplicação do DNA, transmissão de características hereditárias e síntese protéica.
Tipos básicos de organelas citoplasmáticas
Lisossomos
Estrutura: pequenas vesículas com enzimas digestivas.
Função: digerir substâncias que penetram na célula por fagocitose ou pinocitose, além de digerir estruturas celulares desgastadas pelo uso.
Complexo de Golgi
Estrutura: conjunto de membranas em forma de sacos, que estão sempre empilhados.
Função: armazena as substâncias produzidas no interior da célula.
Retículo endoplasmático
Estrutura: sistema de membranas que se apresentam sob a forma de canalículos, tubos e sacos
Função: é onde circulam as substâncias fabricadas pela célula, a síntese de esteróides, inativa certos hormônios e substâncias nocivas à saúde.
Ribossomos
Estrutura: grânulos encontrados de forma livre no hialoplasma ou aderidos no retículo endoplasmático.
Função: está relacionado com as diversas sínteses protéicas que ocorrem no interior da célula.
Mitocôndrias
Estrutura: estruturas membranosas.
Função: onde ocorre a respiração celular.
Cloroplastos
Estrutura: estruturas membranosas que contém pigmentos verde.
Função: são responsáveis pela fotossíntese.
obs: essas estruturas não estão presentes em células animais.
Centríolos
Estrutura: cilindros tubulares.
Função: estão relacionados com a divisão e o esqueleto celular.
Vacúolo de suco celular
Estrutura: estão presentes principalmente nas células vegetais.
Função: participam do controle osmótico celular e do armazenamento de substâncias
Peroxissomos:
Estrutura: pequenas vesículas presentes em todas as células eucariotas.
Função: elas iniciam o processo de oxidação de lipídios (que termina na mitocôndria) e oxidam moléculas tóxicas, como o álcool. Nesse processo se forma água oxigenada (peróxido de hidrogênio), que é decomposta em água e oxigênio pela enzima catalase presente nessa organela.
* VEJA IMAGEM ACIMA
Engenharia Genética
A utilização de microorganismos, plantas e animais para a produção de substâncias úteis ao homem é chamada de biotecnologia. A engenharia genética é uma nova biotecnologia, baseada nas técnicas modernas de manipulação do DNA, que permite transplantar genes de uma espécie para outra e criar uma molécula de DNA que não existia na natureza.
Algumas bactérias possuem a capacidade de se defender dos ataques de vírus produzindo enzimas especiais, as enzimas de restrição. Essas enzimas fragmentam o DNA do vírus impedindo sua reprodução. Essas enzimas se transformaram em grande fermenta da engenharia genética.
Com o auxílio de uma enzima de restrição é possível abrir a molécula de DNA e introduzir nela um fragmento de DNA de outra espécie. Assim esse DNA torna-se um DNA recombinante, isto é, uma molécula de DNA não encontrada na natureza. Desta forma pode ser introduzida no organismo que passa a ser um organismo geneticamente modificado (OGM) ou transgênico. Quando esse organismo de reproduz, o DNA recombinante também se replica, passando para os novos organismos. Esse processo de cópias idênticas de DNA é chamado de clonagem de DNA.
Hoje existem bactérias capazes de produzir insulina humana, usada no tratamento de diabético, cabras com genes humanos cujo leite tem fatores para a coagulação do sangue, plantas com sementes mais produtivas, mais resistentes a secas e outros fatores climáticos, diminuição no uso de agrotóxicos, etc... No Brasil e em muitos outros países há restrições a esses produtos, com o argumento de que não há provas suficientes de que esses transgênicos não causem danos à saúde ou desequilíbrio ambientais a longo prazo.
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segunda-feira, 24 de agosto de 2009
ENEM - HISTÓRIA - AULA 01 - Profº. Marcelo -
MANIFESTO COMUNISTA - 3º Ano Médio
Karl Marx e Friedrich Engels,PUBLICADO PELO INSTITUTO JOSÉ LUIS E ROSA SUNDERMANN, (2003/1847) in.: http://www.pstu.org.br/biblioteca/marx_engels_manifesto.pdf
I. BURGUESES E PROLETÁRIOS
Historicamente,a burguesia desempenhou um papel revolucionário.
Onde quer que tenha assumido o poder, a burguesia pôs fim a todas as relações feudais, patriarcais e idílicas. Destruiu impiedosamente os vários laços feudais que ligavam o homem e seus “superiores naturais”, deixando como única forma de relação de homem a homem o laço do frio interesse, o insensível “pagamento à vista”. Afogou os êxtases sagrados do fervor religioso, do entusiasmo cavalheiresco, do sentimentalismo pequeno-burguês nas águas gélidas do cálculo egoísta. Fez da dignidade pessoal um simples valor de troca e em nome das numerosas liberdades conquistadas estabeleceu a implacável liberdade de comércio. Em suma, substitui a exploração, encoberta pelas ilusões religiosas e políticas, pela exploração aberta, única, direta e brutal (p. 29) [...]
A História de toda sociedade existente até hoje tem sido a história das lutas de classes.
Homem livre e escravo, patrício e plebeu, senhor e servo, mestre de corporação e companheiro, numa palavra, o opressor e o oprimido permaneceram em constante oposição um ao outro, levada a efeito numa guerra ininterrupta, ora disfarçada, ora aberta, que terminou, cada vez, ou pela reconstituição revolucionária de toda a sociedade ou pela destruição das classes em conflito (p.27).
Karl Marx e Friedrich Engels,PUBLICADO PELO INSTITUTO JOSÉ LUIS E ROSA SUNDERMANN, (2003/1847) in.: http://www.pstu.org.br/biblioteca/marx_engels_manifesto.pdf
I. BURGUESES E PROLETÁRIOS
Historicamente,a burguesia desempenhou um papel revolucionário.
Onde quer que tenha assumido o poder, a burguesia pôs fim a todas as relações feudais, patriarcais e idílicas. Destruiu impiedosamente os vários laços feudais que ligavam o homem e seus “superiores naturais”, deixando como única forma de relação de homem a homem o laço do frio interesse, o insensível “pagamento à vista”. Afogou os êxtases sagrados do fervor religioso, do entusiasmo cavalheiresco, do sentimentalismo pequeno-burguês nas águas gélidas do cálculo egoísta. Fez da dignidade pessoal um simples valor de troca e em nome das numerosas liberdades conquistadas estabeleceu a implacável liberdade de comércio. Em suma, substitui a exploração, encoberta pelas ilusões religiosas e políticas, pela exploração aberta, única, direta e brutal (p. 29) [...]
A História de toda sociedade existente até hoje tem sido a história das lutas de classes.
Homem livre e escravo, patrício e plebeu, senhor e servo, mestre de corporação e companheiro, numa palavra, o opressor e o oprimido permaneceram em constante oposição um ao outro, levada a efeito numa guerra ininterrupta, ora disfarçada, ora aberta, que terminou, cada vez, ou pela reconstituição revolucionária de toda a sociedade ou pela destruição das classes em conflito (p.27).
domingo, 23 de agosto de 2009
ENEM - GEOGRAFIA - AULA 02 - Profª. Gisele
AULA 2 PARA DIA 26/08/09
ENTENDA A CRISE Por Paulo Zocchi e Francês Jones
Iniciada nos EUA, turbulência se espalha, causando prejuízos, recessão e desemprego
O ano de 2009 começou sob o signo da crise econômica mundial. Algumas pessoas podem achar que a tal crise é uma invencionice ou algo artificial. A realidade, porém, é que em todos os países a vida das pessoas está sendo duramente afetada. Já chega a milhões o número de trabalhadores que perderam o emprego nos últimos meses. Em algumas nações, faltou comida para a população. Trilhões de dólares de dinheiro público foram usados para salvar bancos e empresas. Até o futebol sentiu: no fim de 2008, poucos jogadores brasileiros de ponta foram vendidos à Europa, pois o dinheiro lá também ficou mais curto. ÍO fato é que a economia moderna é complexa e compõe uma rede internacional. Na atual época, da globalização, há uma interligação entre as economias de todas as nações, os capitais se movem em grande velocidade, bancos e empresas se associam e se fundem em diferentes países e continentes, e uma crise iniciada nos Estados Unidos, a economia mais poderosa do planeta - responsável por cerca de um quarto de tudo que é produzido no mundo -, afeta todos os mercados em questão de horas.
Cronologia
Para explicar as causas da crise, podemos estabelecer uma seqüência de eventos mais importantes, retrocedendo alguns anos. Não é fácil entender tudo, mas isso ocorre porque o mercado financeiro, que movimenta centenas de trilhões de dólares por ano, é de fato muito complicado.
2001A taxa de juros básica dos Estados Unidos, fixada pelo Fed banco central, entra em janeiro de 2001 em 6,5%, mas vai sendo reduzida até 1,75% ao ano, com o objetivo de estimular a economia norte-americana, que estava em recessão (diminuição da atividade econômica). Os juros são uma taxa percentual paga sobre o valor de um empréstimo. Quando o governo derruba a taxa básica de juros, induz a uma redução geral dos juros praticados por bancos e financeiras, visando a tornar mais baratos os empréstimos e a estimular os consumidores a comprar mais (pois as prestações ficam menores) e as empresas a produzir (pois elas também tomam dinheiro emprestado, e, além disso, ampliam a produção para atender à demanda crescente de consumidores.
[Ai você pode se perguntar: “E por que as taxas não estavam baixas antes?”. O principal motivo é que, atualmente, os dirigentes dos bancos centrais pelo mundo - e, no caso específico, a direção do Fed -acreditam que, se há um forte movimento de compra por parte da população, contínuo e prolongado, os setores produtivos (indústria e agricultura) não conseguem atender à demanda, e começa a haver falta de produtos e elevação dos preços. Isso então levaria à alta da inflação, que acaba desvalorizando os salários e os preços e desorganizando a economia. Por isso, em sua política monetária, usam a taxa de juros para tentar controlar a oferta de crédito, o consumo e a inflação].
Outro detalhe: o banco central fixa a taxa básica de juros, e, sobre ela, os bancos colocam mais um tanto para determinar a taxa que cobra dos próprios clientes. Boa parte do lucro dos bancos e de quem vende a crédito sai dos juros pagos pelos consumidores]
O banco central dos EUA baixou os juros a partir de 2001, o primeiro ano do governo de George W. Bush, justamente para estimular a economia, incentivando a expansão da produção e do consumo.
Até essa época, o financiamento de imóveis nos Estados Unidos estava concentrado numa camada chamada de "prime", ou seja, pessoas com alta renda e boa capacidade para quitar as prestações de imóveis. Com a queda dos juros, que pesam bastante em financiamentos de longo prazo, começaram a ser concedidos muitos empréstimos para a compra de casas a pessoas com menor poder aquisitivo - os clientes classificados de "subprime". Isso impulsionou a
AULA 2 PARA DIA 26/08/09
ENTENDA A CRISE Por Paulo Zocchi e Francês Jones
Iniciada nos EUA, turbulência se espalha, causando prejuízos, recessão e desemprego
O ano de 2009 começou sob o signo da crise econômica mundial. Algumas pessoas podem achar que a tal crise é uma invencionice ou algo artificial. A realidade, porém, é que em todos os países a vida das pessoas está sendo duramente afetada. Já chega a milhões o número de trabalhadores que perderam o emprego nos últimos meses. Em algumas nações, faltou comida para a população. Trilhões de dólares de dinheiro público foram usados para salvar bancos e empresas. Até o futebol sentiu: no fim de 2008, poucos jogadores brasileiros de ponta foram vendidos à Europa, pois o dinheiro lá também ficou mais curto. ÍO fato é que a economia moderna é complexa e compõe uma rede internacional. Na atual época, da globalização, há uma interligação entre as economias de todas as nações, os capitais se movem em grande velocidade, bancos e empresas se associam e se fundem em diferentes países e continentes, e uma crise iniciada nos Estados Unidos, a economia mais poderosa do planeta - responsável por cerca de um quarto de tudo que é produzido no mundo -, afeta todos os mercados em questão de horas.
Cronologia
Para explicar as causas da crise, podemos estabelecer uma seqüência de eventos mais importantes, retrocedendo alguns anos. Não é fácil entender tudo, mas isso ocorre porque o mercado financeiro, que movimenta centenas de trilhões de dólares por ano, é de fato muito complicado.
2001A taxa de juros básica dos Estados Unidos, fixada pelo Fed banco central, entra em janeiro de 2001 em 6,5%, mas vai sendo reduzida até 1,75% ao ano, com o objetivo de estimular a economia norte-americana, que estava em recessão (diminuição da atividade econômica). Os juros são uma taxa percentual paga sobre o valor de um empréstimo. Quando o governo derruba a taxa básica de juros, induz a uma redução geral dos juros praticados por bancos e financeiras, visando a tornar mais baratos os empréstimos e a estimular os consumidores a comprar mais (pois as prestações ficam menores) e as empresas a produzir (pois elas também tomam dinheiro emprestado, e, além disso, ampliam a produção para atender à demanda crescente de consumidores.
[Ai você pode se perguntar: “E por que as taxas não estavam baixas antes?”. O principal motivo é que, atualmente, os dirigentes dos bancos centrais pelo mundo - e, no caso específico, a direção do Fed -acreditam que, se há um forte movimento de compra por parte da população, contínuo e prolongado, os setores produtivos (indústria e agricultura) não conseguem atender à demanda, e começa a haver falta de produtos e elevação dos preços. Isso então levaria à alta da inflação, que acaba desvalorizando os salários e os preços e desorganizando a economia. Por isso, em sua política monetária, usam a taxa de juros para tentar controlar a oferta de crédito, o consumo e a inflação].
Outro detalhe: o banco central fixa a taxa básica de juros, e, sobre ela, os bancos colocam mais um tanto para determinar a taxa que cobra dos próprios clientes. Boa parte do lucro dos bancos e de quem vende a crédito sai dos juros pagos pelos consumidores]
O banco central dos EUA baixou os juros a partir de 2001, o primeiro ano do governo de George W. Bush, justamente para estimular a economia, incentivando a expansão da produção e do consumo.
Até essa época, o financiamento de imóveis nos Estados Unidos estava concentrado numa camada chamada de "prime", ou seja, pessoas com alta renda e boa capacidade para quitar as prestações de imóveis. Com a queda dos juros, que pesam bastante em financiamentos de longo prazo, começaram a ser concedidos muitos empréstimos para a compra de casas a pessoas com menor poder aquisitivo - os clientes classificados de "subprime". Isso impulsionou a
AULA 2 PARA DIA 26/08/09
ENTENDA A CRISE Por Paulo Zocchi e Francês Jones
Iniciada nos EUA, turbulência se espalha, causando prejuízos, recessão e desemprego
O ano de 2009 começou sob o signo da crise econômica mundial. Algumas pessoas podem achar que a tal crise é uma invencionice ou algo artificial. A realidade, porém, é que em todos os países a vida das pessoas está sendo duramente afetada. Já chega a milhões o número de trabalhadores que perderam o emprego nos últimos meses. Em algumas nações, faltou comida para a população. Trilhões de dólares de dinheiro público foram usados para salvar bancos e empresas. Até o futebol sentiu: no fim de 2008, poucos jogadores brasileiros de ponta foram vendidos à Europa, pois o dinheiro lá também ficou mais curto. ÍO fato é que a economia moderna é complexa e compõe uma rede internacional. Na atual época, da globalização, há uma interligação entre as economias de todas as nações, os capitais se movem em grande velocidade, bancos e empresas se associam e se fundem em diferentes países e continentes, e uma crise iniciada nos Estados Unidos, a economia mais poderosa do planeta - responsável por cerca de um quarto de tudo que é produzido no mundo -, afeta todos os mercados em questão de horas.
Cronologia
Para explicar as causas da crise, podemos estabelecer uma seqüência de eventos mais importantes, retrocedendo alguns anos. Não é fácil entender tudo, mas isso ocorre porque o mercado financeiro, que movimenta centenas de trilhões de dólares por ano, é de fato muito complicado.
2001A taxa de juros básica dos Estados Unidos, fixada pelo Fed banco central, entra em janeiro de 2001 em 6,5%, mas vai sendo reduzida até 1,75% ao ano, com o objetivo de estimular a economia norte-americana, que estava em recessão (diminuição da atividade econômica). Os juros são uma taxa percentual paga sobre o valor de um empréstimo. Quando o governo derruba a taxa básica de juros, induz a uma redução geral dos juros praticados por bancos e financeiras, visando a tornar mais baratos os empréstimos e a estimular os consumidores a comprar mais (pois as prestações ficam menores) e as empresas a produzir (pois elas também tomam dinheiro emprestado, e, além disso, ampliam a produção para atender à demanda crescente de consumidores.
[Ai você pode se perguntar: “E por que as taxas não estavam baixas antes?”. O principal motivo é que, atualmente, os dirigentes dos bancos centrais pelo mundo - e, no caso específico, a direção do Fed -acreditam que, se há um forte movimento de compra por parte da população, contínuo e prolongado, os setores produtivos (indústria e agricultura) não conseguem atender à demanda, e começa a haver falta de produtos e elevação dos preços. Isso então levaria à alta da inflação, que acaba desvalorizando os salários e os preços e desorganizando a economia. Por isso, em sua política monetária, usam a taxa de juros para tentar controlar a oferta de crédito, o consumo e a inflação].
Outro detalhe: o banco central fixa a taxa básica de juros, e, sobre ela, os bancos colocam mais um tanto para determinar a taxa que cobra dos próprios clientes. Boa parte do lucro dos bancos e de quem vende a crédito sai dos juros pagos pelos consumidores]
O banco central dos EUA baixou os juros a partir de 2001, o primeiro ano do governo de George W. Bush, justamente para estimular a economia, incentivando a expansão da produção e do consumo.
Até essa época, o financiamento de imóveis nos Estados Unidos estava concentrado numa camada chamada de "prime", ou seja, pessoas com alta renda e boa capacidade para quitar as prestações de imóveis. Com a queda dos juros, que pesam bastante em financiamentos de longo prazo, começaram a ser concedidos muitos empréstimos para a compra de casas a pessoas com menor poder aquisitivo - os clientes classificados de "subprime". Isso impulsionou a
AULA 2 PARA DIA 26/08/09
ENTENDA A CRISE Por Paulo Zocchi e Francês Jones
Iniciada nos EUA, turbulência se espalha, causando prejuízos, recessão e desemprego
O ano de 2009 começou sob o signo da crise econômica mundial. Algumas pessoas podem achar que a tal crise é uma invencionice ou algo artificial. A realidade, porém, é que em todos os países a vida das pessoas está sendo duramente afetada. Já chega a milhões o número de trabalhadores que perderam o emprego nos últimos meses. Em algumas nações, faltou comida para a população. Trilhões de dólares de dinheiro público foram usados para salvar bancos e empresas. Até o futebol sentiu: no fim de 2008, poucos jogadores brasileiros de ponta foram vendidos à Europa, pois o dinheiro lá também ficou mais curto. ÍO fato é que a economia moderna é com-plexa e compõe uma rede internacional. Na atual época, da globalização, há uma interligação entre as economias de todas as nações, os capitais se movem em grande velocidade, bancos e empresas se associam e se fundem em diferentes países e conti-nentes, e uma crise iniciada nos Estados Unidos, a economia mais poderosa do pla-neta - responsável por cerca de um quarto de tudo que é produzido no mundo -, afeta todos os mercados em questão de horas.
Cronologia
Para explicar as causas da crise, pode¬mos estabelecer uma seqüência de eventos mais importantes, retrocedendo alguns anos. Não é fácil entender tudo, mas isso ocorre porque o mercado financeiro, que movimenta centenas de trilhões de dólares por ano, é de fato muito complicado.
2001A taxa de juros básica dos Estados Unidos, fixada pelo Fed banco central, entra em janeiro de 2001 em 6,5%, mas vai sendo reduzida até 1,75% ao ano, com o objetivo de estimular a economia norte-americana, que estava em recessão (diminuição da atividade econômica). Os juros são uma taxa percentual paga sobre o valor de um empréstimo. Quando o governo derruba a taxa básica de juros, induz a uma redução geral dos juros pra-ticados por bancos e financeiras, visando a tornar mais baratos os empréstimos e a estimular os consumidores a comprar mais (pois as prestações ficam menores) e as empresas a produzir (pois elas tam¬bém tomam dinheiro emprestado, e, além disso, ampliam a produção para atender à demanda crescente de consumidores.
[Ai você pode se perguntar: “E por que as taxas não estavam baixas antes?”. O principal motivo é que, atualmente, os dirigentes dos bancos centrais pelo mundo - e, no caso específico, a direção do Fed -acreditam que, se há um forte movimento de compra por parte da população, con-tínuo e prolongado, os setores produtivos (indústria e agricultura) não conseguem atender à demanda, e começa a haver falta de produtos e elevação dos preços. Isso então levaria à alta da inflação, que aca-ba desvalorizando os salários e os preços e desorganizando a economia. Por isso, em sua política monetária, usam a taxa de juros para tentar controlar a oferta de crédito, o consumo e a inflação].
Outro detalhe: o banco central fixa a taxa básica de juros, e, sobre ela, os bancos colo¬cam mais um tanto para determinar a taxa que cobra dos próprios clientes. Boa parte do lucro dos bancos e de quem vende a crédito sai dos juros pagos pelos consumidores]
O banco central dos EUA baixou os juros a partir de 2001, o primeiro ano do governo de George W. Bush, justamente para estimular a economia, incentivando a expansão da produção e do consumo.
Até essa época, o financiamento de imóveis nos Estados Unidos estava con-centrado numa camada chamada de "pri-me", ou seja, pessoas com alta renda e boa capacidade para quitar as prestações de imóveis. Com a queda dos juros, que pe-sam bastante em financiamentos de longo prazo, começaram a ser concedidos mui¬tos empréstimos para a compra de casas a pessoas com menor poder aquisitivo - os clientes classificados de "subprime". Isso impulsionou a
expansão no país da cons-trução civil e do mercado imobiliário. Para que os clientes "subprime" pudessem con¬tratar esses empréstimos com prestações mais reduzidas, que fossem mais fáceis de ser pagas, os financiamentos chegavam a ser de até 30 anos. Durante o período em que os juros ficaram baixos, esse meca-nismo funcionou bem. Isso ocorreu de 2001 a 2004, com a taxa básica de juros norte-americana variando num patamar baixo, entre 1,75% e 1% ao ano.
2002/2003 Os empréstimos imobiliários foram se multiplicando e atingindo grande volume financeiro. Com as prestações sendo pagas, a cada mês, essas operações se tornaram bastante lucrativas para ban¬cos e empresas de crédito imobiliário. Além disso, elas criavam fundos para os bancos emitirem e negociarem títulos no mercado financeiro, oferecendo como garantia as prestações a ser pagas (por até 30 anos) dos empréstimos "subprime". A aplicação de modernos recursos de enge-nharia financeira levou ao surgimento de uma "bolha especulativa": tomando como base os títulos negociados, as instituições financeiras emitem mais títulos, que são reunidos em carteiras, gerando novos títu¬los, e o valor total dos negócios vão sendo multiplicados várias vezes.
Com a ampliação do crédito imobiliário, cresceu a procura - em linguagem econômica: aumentou a demanda - por casas e apartamentos, fazendo com que os imóveis se valorizassem. As aplicações na construção civil também se tornaram ótimo negócio para investidores, atraindo capitais do mundo todo e ajudando a movimentar o mercado norte-americano.
A elevação dos juros em 2004
torna mais caras as prestações de imóveis e dificulta os pagamentos
2004 A economia norte-americana passa a registrar sinais de inflação. Uma das fontes da inflação é o endividamento vertiginoso do Estado norte-americano, graças, sobretudo, ao corte nos impostos das rendas mais altas - que havia sido feito pelo presidente Bush para impulsionar a economia - e aos gastos astronômicos com a "guerra ao terror", após 11 de setembro de 2001, principalmente com o envio de tropas ao Afeganistão (a partir de 2001) e ao Iraque (2003).
Para tentar combater a inflação, o Fed co¬meçou a elevar a taxa básica de juros a partir de outubro de 2004. Outro motivo para aumentar os juros é incentivar a procura mundial por títulos em dólar, buscando frear a queda da moeda norte-americana no mer¬cado internacional. Uma das conseqüências da subida dos juros, porém, é que o valor das prestações dos empréstimos imobiliários (atreladas à taxa de juros) passou a subir cada vez mais para o cidadão comum.
2006-2007 Entre junho de 2006 e agosto de 2007, a taxa de juros ficou em 5,25% ao ano, até cinco vezes maior que a do perío¬do anterior. Com as prestações mais caras, uma parte crescente dos compradores não conseguiu mais pagá-las. Acontece que, quando se faz um empréstimo imobiliário, a garantia é o próprio imóvel comprado. Assim, os bancos começaram a tomar de volta judicialmente os imóveis de quem parou de pagá-los, promovendo despejos dramáticos por todo o pais e recolocando casas e apartamentos à venda. O aumento súbito da oferta, somado ao encarecimento dos empréstimos, derrubou o preço dos imóveis. Como muitos empréstimos dei¬xaram de ser pagos, e o valor dos imóveis dados como garantia despencou, os títulos com base nos empréstimos perderam valor rapidamente, causando grandes prejuízos a bancos e a empresas imobiliárias.
O resultado foi um efeito dominó, cha¬mado de "crise subprime", que estourou nas bolsas de valores em julho de 2007: milhões de pessoas perderam sua moradia ou estão ameaçadas de perdê-la, bancos e
financeiras ficaram sem condições de conceder novos empréstimos, e a construção civil entrou em
um estado de virtual paralisia. Como os pa¬péis imobiliários faziam parte do patrimônio de grande parte das instituições financeiras, havia forte suspeita sobre a saúde econômica de boa parcela delas, e as bolsas de valores despencaram no mundo todo.
Para evitar uma quebra mundial das bolsas e garantir que o crédito continu¬asse a circular, o Fed e os bancos centrais de outros países desenvolvidos injetaram, em agosto de 2007,400 bilhões de dinhei¬ro público nos mercados monetários. Na prática, passaram a fazer empréstimos de curto prazo para que os bancos pudessem tocar seu dia-a-dia. Antes da crise, os ban¬cos emprestavam entre si de acordo com as necessidades. Com a crescente desconfiança, crédito secou, e os governos tive¬ram de colocar dinheiro. Os acon¬tecimentos têm a ver com a própria origem da palavra crédito: creditum
em latim significa crença, confiança. Se não há confiança, falta crédito.
2008 Uma primeira conseqüência da crise dos "subprime" foi que uma quantidade gigantesca de dinheiro que estava investi¬do em títulos imobiliários migrou para as commodities, ou seja, para matérias-primas, como grãos (milho, trigo, soja), com cotações fixadas para compra e venda em bolsas de valores. Explicando: tem gente que investe o dinheiro em papéis emitidos por empresas, o que é semelhante a emprestar dinheiro às empresas para que possam fazer negócios, com a garantia de que, depois, os bons resul¬tados sejam divididos. Assim, quando o setor de imóveis parou, pareceu uma boa opção para milhares de investidores os fundos de companhias que compram e vendem commodities - que já vinham apresentando bons resultados em anos anteriores. J
O aumento da procura por esse setor provocou uma alta na cotação internacional dos grãos. Esse foi um dos fatores para o encarecimento dos cereais - base da alimentação da população mundial -, o que levou
mais de 20 nações pobres a enfrentar uma crise alimentar no primeiro semestre de 2008. Em sua maioria, são paí¬ses que dependem de ajuda externa para garantir alimentos para a população, e, com os preços mais altos, o auxílio de fora não bastou. Em 13 nações, como Haiti, Costa do Marfim e Indonésia, a alta de preços e a falta de géneros alimentícios provocaram rebeliões e protestos. O próprio desenrolar da crise financeira, nos meses seguintes, derrubou o preço dos alimentos.
Um novo abalo ocorreu em março de 2008, quando o Bear Stearns, o quinto maior banco de investimentos dos EUA, começou a dar sinais de colapso. O Fed coordenou sua venda para o megabanco JP Morgan, abrindo uma linha emergencial de crédito de até 200 bilhões de dólares para instituições em dificuldades. O medo dos investidores agravou a situação dos bancos e provocou uma nova queda mundial nas bolsas de valo¬res. No início de setembro, o governo Bush é levado a assumir totalmente duas gigantes norte-americanas de crédito imobiliário, a Freddie Mac e a Fannie Mae.
Crise aberta
O estopim da atual fase da crise ocorreu em 15 de setembro de 2008, com a quebra do quarto maior banco de investimentos norte-americano, o Lehman Brothers - ins¬tituição tradicional, com 158 anos, que havia investido fortemente em títulos ligados aos empréstimos "subprime". Em cerca de um ano, o valor de suas ações já havia despencado 95%. A quebra do Lehman - que não recebeu ajuda estatal - afetou diretamente outros bancos, fundos de pensão e empresas ligadas a ele nos EUA e no exterior. Mais amplamente, abalou todo o mercado mun¬dial, pois havia o medo de que outros bancos tivessem o mesmo destino. O mercado de empréstimos em dólar parou totalmente.
-
Diante dos riscos ao mercado financeiro global - que, para funcionar, depende da credibilidade para que os compromissos sejam cumpridos -, os governos das principais potências decidiram intervir de forma inédita, colocando trilhões de dólares de dinheiro público para auxiliar maciçamente as empresas em dificuldades. Isso foi feito pelos governos dos EUA, de países europeus e do Japão, entre outros, incluindo o brasileiro. Já no dia seguinte à concordata do Lehman, o Fed emprestou 85 bilhões de dólares à AIG - a maior em¬presa mundial do setor de seguros - para evitar uma nova quebra.
Para tentar barrar o efeito dominó e reverter as conseqüências da crise, o au¬xílio oficial a bancos e empresas atingiu o patamar de trilhões de dólares nos meses seguintes. O motivo para isso é basicamente o seguinte: uma parte significativa do patrimônio dessas instituições financeiras são títulos (que equivalem, em última análise, a obrigações a ser pagas em di¬nheiro), e, quando há desconfiança, muita gente corre para resgatar seu dinheiro no banco; mas uma corrida bancária pode provocar uma onda de falências (quando as empresas não conseguem mais pagar suas dívidas e são obrigadas a fechar as portas). Ao injetarem dinheiro nas insti¬tuições, para que possam reembolsar parte de seus clientes e pagar suas dívidas mais urgentes, os governos tentam evitar uma maré de empresas quebradas.
Diante da situação, os governos tomaram três medidas básicas: emprestar dinheiro às instituições em dificuldades; estatizar as empresas com risco de falência; e, para evitar uma corrida bancária, garantir os depósitos feitos pelos clientes dos bancos. Paul Krugman, renomado economista norte-americano, defende a ajuda oficial em artigo publicado no The New York Ti¬mes no fim de fevereiro de 2009: "Alguns grandes bancos estão perigosamente perto do abismo - na verdade, j á teriam quebrado se os investidores não esperassem um so-corro do governo, caso fosse necessário. (...) Bancos devem ser socorridos. O colapso do Lehman Brothers quase destruiu o sistema financeiro, e não podemos arriscar a que instituições muito maiores como Citigroup; ou Bank of America implodam".
Exportadores perdem em apostas cambiais
Assim que a crise financeira global se agravou, em setembro de 2008, três gran¬des empresas exportadoras brasileiras -Votorantim, Aracruz e Sadia - anunciaram perdas bilionárias. A mudança brusca no câmbio, com o dólar se valorizando rapida¬mente diante do real, após anos de desvalo¬rização, fez com que uma aposta arriscada na alta do real resultasse em grande preju¬ízo. Para entender: no mercado futuro de câmbio (troca de moedas), você pode fazer um contrato comprometendo-se, num de-terminado prazo ã frente, a comprar ou a vender dólares numa certa cotação. Já que o valor não pode ser mudado, a alta ou a baixa da moeda faz um dos lados do negócio ganhar e o outro perder.
Como os exportadores brasileiros lucram mais quando o dólar está alto (pois suas mercadorias passam a valer mais no mercado mundial), essas empresas passaram a usar uma espécie de seguro financeiro para se proteger de um cenário desfavorável com contratos que apostam na manutenção do dólar em baixa (e aí, supostamente, ganha-riam de um jeito ou de outro: com os contra¬tos, no dólar baixo; ou com suas vendas, no dólaralto).Masoque era originalmente uma operação para se proteger foi utilizado por muitas companhias como uma aposta espe¬culativa na desvalorização do dólar. Como, a partir do agravamento da crise, o dólar se valorizou tanto e tão rápido ante o real, sem que ninguém pudesse prever, as operações especulativas com o câmbio - que prometiam ganhos enormes para o dólar baixo - resul¬taram em uma perda gigantesca.
O grupo Votorantim reconheceu um prejuí¬zo de 2,2 bilhões de reais com a liquidação de suas aplicações em papéis chamados derivativos. Fizeram o mesmo a Sadia, uma das principais indústrias brasileiras de ali¬mentos, e a Aracruz Celulose. No caso da primeira, o prejuízo foi de 760 milhões de reais. No da segunda, cerca de 2,5 bilhões de reais. Além dessas perdas, como conseqüência imediata da situação, a credibilidade das empresas exportadoras foi duramente abalada, e o valor de suas ações despencou. Também sofreram grandes perdas muitas companhias médias e pequenas, que haviam feito empréstimos vinculados ao câmbio.
Uma recessão atinge hoje as economias dos Estados Unidos, do Japão e de países da União Europeia
Até agora, ninguém sabe ao certo o valor total dos títulos emitidos com base nos empréstimos imobi- liários. Um fato é patente: ninguém mais quer comprá- los. Por essa razão é que se mantém a forte desconfiança
entre os investidores em relação à saúde financeira dos bancos - incluindo os maiores do mercado -, pelo temor de que continuem contando como parte de seu patrimônio grande volume desses títulos, que, no fim das contas, podem não ter valor algum.
Recessão
O mercado mundial é uma arena em que os grandes agentes - governos, mul¬tinacionais, megabancos - exercem uma influência importante, mas que, na verdade, ninguém controla. E, para se manter em marcha, é preciso que mercadorias sejam produzidas, que as pessoas as comprem, que haja empréstimos financeiros, e os de¬vedores os paguem, e assim por diante.
O aprofundamento da crise depois de setembro provocou algo como um mare¬moto global, mas, em meio ao aparente caos, há uma série de fatos que podemos destacar. As principais conseqüências da crise são as seguintes:
- falta de crédito: a quebra do Lehman atingiu fortemente o sistema financeiro. De imediato, os bancos deixaram de em¬prestar dinheiro (ou seja, de dar crédito). Isso paralisa um dos motores da economia, pois tanto empresas quanto consumidores precisam de crédito para suas atividades econômicas cotidianas. O crédito, que já vinha escasso, piorou muito. Do ponto de vista dos principais governos do mundo, um importante motivo para a ajuda estatal, além de salvar os bancos, pura e simplesmente, é restaurar sua capacidade de fazer empréstimos - pois, sem o financiamento dos bancos à produção, é difícil a retomada do crescimento econômico.
- recessão: a falta de crédito empurra a economia global e a de cada país para uma recessão, ou seja, para a redução da pro¬dução nacional. A situação ideal é que a atívidade econômica das nações cresça, pois elas produzem mais e ficam mais ricas. Isso se mede pela variação do Produto Interno Bruto (PIB), tudo o que um país produz em um ano. Quando a economia cresce mais rápido que a população, amplia-se o PIB por habitante. Vivemos um momento no qual a atívidade econômica em diversos países - como os EUA, o Japão e vários da União Europeia - está se contraindo e a produção, encolhendo. Isso reduz a riqueza e leva os países a dificuldades.
- desemprego: a redução da atívidade tende a levar ao aumento do desemprego, embora não seja uma coisa automática. Mas, com o faturamento das empresas em queda, uma das medidas que os empresários adotam
para cortar custos é demitir funcionários. Isso provoca redução da renda dos consu¬midores e prejudica seu poder de compra, reforçando a paralisia do mercado.
Considerando todos esses aspectos, os principais agentes econômicos buscaram reagir à crise. Cerca de um mês e meio após a quebra do Lehman, os governos já haviam gastado cerca de 7 trilhões de dólares - bem mais de 10% do PIB do mundo - para salvar bancos, de acordo com contas feitas pelo banco central britânico. Além de injetarem dinheiro, as autoridades econômicas de vários países optaram por reduzir drasticamente as taxas de juro de forma coordenada, para estimular as economias. Nos EUA, as taxas desceram a 0%; no Reino Unido, caí-ram para o nível mais baixo em 50 anos; e, na China, houve o maior corte de juros em 11 anos, chegando a 5,85% ao ano.
Apesar das medidas, 2008 entrou para a história dos Estados Unidos como o pior para o mercado de trabalho desde 1945, quando acabou a II Guerra Mundial. No ano passado houve um corte de 2,6 milhões de empregos (veja o gráfico 1).
BRASIL
Logo após a deflagração da crise, havia quem previsse que os países emergentes como Brasil, China, Federação Russa e índia ficariam "descolados" da tormenta, o que não ocorreu - mais um exemplo de que, no mercado globalizado, tudo é interligado. A economia chinesa, que vinha crescendo aci¬ma de 10% ao ano, passou a crescer menos. A desaceleração ocorreu basicamente em razão da queda nas exportações e de inves¬timentos menores no setor imobiliário.
No Brasil, houve queda nas exportações e nas importações, indicando uma desaceleração geral da economia nacional. Várias empresas perderam muito em aplicações ar¬riscadas no mercado financeiro (veja o boxe Exportadores perdem em apostas cambiais). Apesar de ter diversificado seus negócios no exterior, o país ainda tem como principal parceiro comercial os EUA.
Outro dado que mostra a chegada da tormenta ao Brasil foi o recuo na produção da indústria brasileira. Em dezembro de 2008 houve uma retração de 14,5% em comparação com dezembro do ano anterior (veja o gráfico 2) - ainda assim, no ano inteiro, a indústria manteve um cres-cimento de 3,1% em relação a 2007.
Algumas das medidas tomadas pelo go¬verno brasileiro são a redução nos depósi¬tos compulsórios (a parte dos recursos dos bancos que tem de ser depositada no banco central), a fim de aumentar o dinheiro para o crédito; a liberação de 7 bilhões de reais do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), para ampliar os recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), banco público que apoia o setor produtivo; a liberação de 5 bilhões de reais para financiar as exporta¬ções; destinação de 5,5 bilhões de reais ao crédito rural, para garantir o plantio, além de o Banco do Brasil ter reservado 5 bilhões de reais para a agricultura; e um programa de financiamento de capital de giro para as construtoras. Diferentemente de outros países, porém, as autoridades econômicas brasileiras continuam a manter os juros altos, mesmo com a redução. Em fevereiro, os juros básicos fixados pelo Banco Central (a taxa Selic) estavam em 12,75% ao ano.
Resumo - Crise econômica
SUBPRIME Nos Estados Unidos, cha¬mam-se de "prime" as pessoas com alto poder aquisitivo e boas condições para quitar financiamentos. Os clien¬tes "subprime" são uma camada com menor poder aquisitivo e, por isso, com mais dificuldade para pagar empréstimos. Num período de juros baixos. de 2001 a 2004, os"subprime" receberam muitos empréstimos para a compra de imóveis. Com a alta posterior dos juros, as prestações ficaram mais caras e muitos deixaram de pagá-la. A queda no preço dos imóveis e dos títulos emitidos com base nos empréstimos subprime está na origem da atual crise econômica.
TAXA DE JUROS Os juros são uma taxa percentual paga sobre o valor de um empréstimo. A taxa básica de juros é fixada pelo banco central de cada país. Quando o governo derruba esse índice, induz a uma redução geral dos juros praticados por bancos e financeiras, tornando os empréstimos mais baratos, o que estimula os consumidores a com¬prar mais e as empresas a produzir. Os bancos determinam suas taxas de juro livremente, mas partem da taxa básica de juros e acrescentam um tanto. Boa parte do lucro dos bancos sai dos juros pagos pelos clientes.
INFLAÇÃO É um aumento generalizado dos preços, o que provoca uma redução do poder de compra da moeda. Com a inflação, o dinheiro perde valor, tornando necessária uma quantia maior para adquirires mesmos produtos.
COMMODITIES O termo é usado co¬mo referência no mercado financeiro para os negócios internacionais com matérias-primas, como combustíveis, minerais e produtos agrícolas.
RECESSÃO É a redução da produção nacional, ou seja, a diminuição do Produto Interno Bruto (PIB). Em um momento de recessão, a produção di¬minui, reduzindo a renda e levando os países a dificuldades.
Saiu na imprensa
CRISE ECONÔMICA MUNDIAL TAMBÉM ASSOLA A NBA
A crise econômica mundial também assolou a NBA [a liga de basquete dos Estados Unidos].
Com faturamento em baixa, 15 dos 30 times da liga norte-americana de basquete se candidatam a um empréstimo oferecido pelo seu comando central, com juros muito acima dos praticados antes do estouro da crise, ainda no ano passado.
Serão ao todo USS175 milhões (cerca de RS 408 milhões) em caráter quase emergencial. O dinheiro será liberado antes do final do mês, segundo a liga.
Cada clube irá pagar até 8,27% de juros ao ano pelo empréstimo - operações similares no passado ficavam abaixo de 5%. Os executivos da NBA dizem que mais importante do que a taxa de juros é a liga conseguir dinheiro
para repassar aos times, em um momento que o crédito sofre aperto geral e grandes restrições nos EUA.
O dinheiro será usado de forma livre pelas equipes, mas quem se interes¬sou tem como prioridade zerar os prejuízos de suas operações em um momento de queda livre na procura por ingressos - alguns ginásios não chegam a ter nem 50% de sua capa-cidade ocupada.
(...) Até times com boas chances nos playoffs procuram se desfazer de joga¬dores com altos salários. Foi o caso, por exemplo, do New Orleans Hornets, em que a troca por jogadores de pouca ex¬pressão mandou o pivô Tyson Chandler, seu melhor defensor, para o Oklahoma. Assim, deixou de pagar os USS 12,3 mi¬lhões anuais que Chandler recebe.
Folha de S.Paulo, 19/2/2009
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ENTENDA A CRISE Por Paulo Zocchi e Francês Jones
Iniciada nos EUA, turbulência se espalha, causando prejuízos, recessão e desemprego
O ano de 2009 começou sob o signo da crise econômica mundial. Algumas pessoas podem achar que a tal crise é uma invencionice ou algo artificial. A realidade, porém, é que em todos os países a vida das pessoas está sendo duramente afetada. Já chega a milhões o número de trabalhadores que perderam o emprego nos últimos meses. Em algumas nações, faltou comida para a população. Trilhões de dólares de dinheiro público foram usados para salvar bancos e empresas. Até o futebol sentiu: no fim de 2008, poucos jogadores brasileiros de ponta foram vendidos à Europa, pois o dinheiro lá também ficou mais curto. ÍO fato é que a economia moderna é complexa e compõe uma rede internacional. Na atual época, da globalização, há uma interligação entre as economias de todas as nações, os capitais se movem em grande velocidade, bancos e empresas se associam e se fundem em diferentes países e continentes, e uma crise iniciada nos Estados Unidos, a economia mais poderosa do planeta - responsável por cerca de um quarto de tudo que é produzido no mundo -, afeta todos os mercados em questão de horas.
Cronologia
Para explicar as causas da crise, podemos estabelecer uma seqüência de eventos mais importantes, retrocedendo alguns anos. Não é fácil entender tudo, mas isso ocorre porque o mercado financeiro, que movimenta centenas de trilhões de dólares por ano, é de fato muito complicado.
2001A taxa de juros básica dos Estados Unidos, fixada pelo Fed banco central, entra em janeiro de 2001 em 6,5%, mas vai sendo reduzida até 1,75% ao ano, com o objetivo de estimular a economia norte-americana, que estava em recessão (diminuição da atividade econômica). Os juros são uma taxa percentual paga sobre o valor de um empréstimo. Quando o governo derruba a taxa básica de juros, induz a uma redução geral dos juros praticados por bancos e financeiras, visando a tornar mais baratos os empréstimos e a estimular os consumidores a comprar mais (pois as prestações ficam menores) e as empresas a produzir (pois elas também tomam dinheiro emprestado, e, além disso, ampliam a produção para atender à demanda crescente de consumidores.
[Ai você pode se perguntar: “E por que as taxas não estavam baixas antes?”. O principal motivo é que, atualmente, os dirigentes dos bancos centrais pelo mundo - e, no caso específico, a direção do Fed -acreditam que, se há um forte movimento de compra por parte da população, contínuo e prolongado, os setores produtivos (indústria e agricultura) não conseguem atender à demanda, e começa a haver falta de produtos e elevação dos preços. Isso então levaria à alta da inflação, que acaba desvalorizando os salários e os preços e desorganizando a economia. Por isso, em sua política monetária, usam a taxa de juros para tentar controlar a oferta de crédito, o consumo e a inflação].
Outro detalhe: o banco central fixa a taxa básica de juros, e, sobre ela, os bancos colocam mais um tanto para determinar a taxa que cobra dos próprios clientes. Boa parte do lucro dos bancos e de quem vende a crédito sai dos juros pagos pelos consumidores]
O banco central dos EUA baixou os juros a partir de 2001, o primeiro ano do governo de George W. Bush, justamente para estimular a economia, incentivando a expansão da produção e do consumo.
Até essa época, o financiamento de imóveis nos Estados Unidos estava concentrado numa camada chamada de "prime", ou seja, pessoas com alta renda e boa capacidade para quitar as prestações de imóveis. Com a queda dos juros, que pesam bastante em financiamentos de longo prazo, começaram a ser concedidos muitos empréstimos para a compra de casas a pessoas com menor poder aquisitivo - os clientes classificados de "subprime". Isso impulsionou a
AULA 2 PARA DIA 26/08/09
ENTENDA A CRISE Por Paulo Zocchi e Francês Jones
Iniciada nos EUA, turbulência se espalha, causando prejuízos, recessão e desemprego
O ano de 2009 começou sob o signo da crise econômica mundial. Algumas pessoas podem achar que a tal crise é uma invencionice ou algo artificial. A realidade, porém, é que em todos os países a vida das pessoas está sendo duramente afetada. Já chega a milhões o número de trabalhadores que perderam o emprego nos últimos meses. Em algumas nações, faltou comida para a população. Trilhões de dólares de dinheiro público foram usados para salvar bancos e empresas. Até o futebol sentiu: no fim de 2008, poucos jogadores brasileiros de ponta foram vendidos à Europa, pois o dinheiro lá também ficou mais curto. ÍO fato é que a economia moderna é complexa e compõe uma rede internacional. Na atual época, da globalização, há uma interligação entre as economias de todas as nações, os capitais se movem em grande velocidade, bancos e empresas se associam e se fundem em diferentes países e continentes, e uma crise iniciada nos Estados Unidos, a economia mais poderosa do planeta - responsável por cerca de um quarto de tudo que é produzido no mundo -, afeta todos os mercados em questão de horas.
Cronologia
Para explicar as causas da crise, podemos estabelecer uma seqüência de eventos mais importantes, retrocedendo alguns anos. Não é fácil entender tudo, mas isso ocorre porque o mercado financeiro, que movimenta centenas de trilhões de dólares por ano, é de fato muito complicado.
2001A taxa de juros básica dos Estados Unidos, fixada pelo Fed banco central, entra em janeiro de 2001 em 6,5%, mas vai sendo reduzida até 1,75% ao ano, com o objetivo de estimular a economia norte-americana, que estava em recessão (diminuição da atividade econômica). Os juros são uma taxa percentual paga sobre o valor de um empréstimo. Quando o governo derruba a taxa básica de juros, induz a uma redução geral dos juros praticados por bancos e financeiras, visando a tornar mais baratos os empréstimos e a estimular os consumidores a comprar mais (pois as prestações ficam menores) e as empresas a produzir (pois elas também tomam dinheiro emprestado, e, além disso, ampliam a produção para atender à demanda crescente de consumidores.
[Ai você pode se perguntar: “E por que as taxas não estavam baixas antes?”. O principal motivo é que, atualmente, os dirigentes dos bancos centrais pelo mundo - e, no caso específico, a direção do Fed -acreditam que, se há um forte movimento de compra por parte da população, contínuo e prolongado, os setores produtivos (indústria e agricultura) não conseguem atender à demanda, e começa a haver falta de produtos e elevação dos preços. Isso então levaria à alta da inflação, que acaba desvalorizando os salários e os preços e desorganizando a economia. Por isso, em sua política monetária, usam a taxa de juros para tentar controlar a oferta de crédito, o consumo e a inflação].
Outro detalhe: o banco central fixa a taxa básica de juros, e, sobre ela, os bancos colocam mais um tanto para determinar a taxa que cobra dos próprios clientes. Boa parte do lucro dos bancos e de quem vende a crédito sai dos juros pagos pelos consumidores]
O banco central dos EUA baixou os juros a partir de 2001, o primeiro ano do governo de George W. Bush, justamente para estimular a economia, incentivando a expansão da produção e do consumo.
Até essa época, o financiamento de imóveis nos Estados Unidos estava concentrado numa camada chamada de "prime", ou seja, pessoas com alta renda e boa capacidade para quitar as prestações de imóveis. Com a queda dos juros, que pesam bastante em financiamentos de longo prazo, começaram a ser concedidos muitos empréstimos para a compra de casas a pessoas com menor poder aquisitivo - os clientes classificados de "subprime". Isso impulsionou a
AULA 2 PARA DIA 26/08/09
ENTENDA A CRISE Por Paulo Zocchi e Francês Jones
Iniciada nos EUA, turbulência se espalha, causando prejuízos, recessão e desemprego
O ano de 2009 começou sob o signo da crise econômica mundial. Algumas pessoas podem achar que a tal crise é uma invencionice ou algo artificial. A realidade, porém, é que em todos os países a vida das pessoas está sendo duramente afetada. Já chega a milhões o número de trabalhadores que perderam o emprego nos últimos meses. Em algumas nações, faltou comida para a população. Trilhões de dólares de dinheiro público foram usados para salvar bancos e empresas. Até o futebol sentiu: no fim de 2008, poucos jogadores brasileiros de ponta foram vendidos à Europa, pois o dinheiro lá também ficou mais curto. ÍO fato é que a economia moderna é complexa e compõe uma rede internacional. Na atual época, da globalização, há uma interligação entre as economias de todas as nações, os capitais se movem em grande velocidade, bancos e empresas se associam e se fundem em diferentes países e continentes, e uma crise iniciada nos Estados Unidos, a economia mais poderosa do planeta - responsável por cerca de um quarto de tudo que é produzido no mundo -, afeta todos os mercados em questão de horas.
Cronologia
Para explicar as causas da crise, podemos estabelecer uma seqüência de eventos mais importantes, retrocedendo alguns anos. Não é fácil entender tudo, mas isso ocorre porque o mercado financeiro, que movimenta centenas de trilhões de dólares por ano, é de fato muito complicado.
2001A taxa de juros básica dos Estados Unidos, fixada pelo Fed banco central, entra em janeiro de 2001 em 6,5%, mas vai sendo reduzida até 1,75% ao ano, com o objetivo de estimular a economia norte-americana, que estava em recessão (diminuição da atividade econômica). Os juros são uma taxa percentual paga sobre o valor de um empréstimo. Quando o governo derruba a taxa básica de juros, induz a uma redução geral dos juros praticados por bancos e financeiras, visando a tornar mais baratos os empréstimos e a estimular os consumidores a comprar mais (pois as prestações ficam menores) e as empresas a produzir (pois elas também tomam dinheiro emprestado, e, além disso, ampliam a produção para atender à demanda crescente de consumidores.
[Ai você pode se perguntar: “E por que as taxas não estavam baixas antes?”. O principal motivo é que, atualmente, os dirigentes dos bancos centrais pelo mundo - e, no caso específico, a direção do Fed -acreditam que, se há um forte movimento de compra por parte da população, contínuo e prolongado, os setores produtivos (indústria e agricultura) não conseguem atender à demanda, e começa a haver falta de produtos e elevação dos preços. Isso então levaria à alta da inflação, que acaba desvalorizando os salários e os preços e desorganizando a economia. Por isso, em sua política monetária, usam a taxa de juros para tentar controlar a oferta de crédito, o consumo e a inflação].
Outro detalhe: o banco central fixa a taxa básica de juros, e, sobre ela, os bancos colocam mais um tanto para determinar a taxa que cobra dos próprios clientes. Boa parte do lucro dos bancos e de quem vende a crédito sai dos juros pagos pelos consumidores]
O banco central dos EUA baixou os juros a partir de 2001, o primeiro ano do governo de George W. Bush, justamente para estimular a economia, incentivando a expansão da produção e do consumo.
Até essa época, o financiamento de imóveis nos Estados Unidos estava concentrado numa camada chamada de "prime", ou seja, pessoas com alta renda e boa capacidade para quitar as prestações de imóveis. Com a queda dos juros, que pesam bastante em financiamentos de longo prazo, começaram a ser concedidos muitos empréstimos para a compra de casas a pessoas com menor poder aquisitivo - os clientes classificados de "subprime". Isso impulsionou a
AULA 2 PARA DIA 26/08/09
ENTENDA A CRISE Por Paulo Zocchi e Francês Jones
Iniciada nos EUA, turbulência se espalha, causando prejuízos, recessão e desemprego
O ano de 2009 começou sob o signo da crise econômica mundial. Algumas pessoas podem achar que a tal crise é uma invencionice ou algo artificial. A realidade, porém, é que em todos os países a vida das pessoas está sendo duramente afetada. Já chega a milhões o número de trabalhadores que perderam o emprego nos últimos meses. Em algumas nações, faltou comida para a população. Trilhões de dólares de dinheiro público foram usados para salvar bancos e empresas. Até o futebol sentiu: no fim de 2008, poucos jogadores brasileiros de ponta foram vendidos à Europa, pois o dinheiro lá também ficou mais curto. ÍO fato é que a economia moderna é com-plexa e compõe uma rede internacional. Na atual época, da globalização, há uma interligação entre as economias de todas as nações, os capitais se movem em grande velocidade, bancos e empresas se associam e se fundem em diferentes países e conti-nentes, e uma crise iniciada nos Estados Unidos, a economia mais poderosa do pla-neta - responsável por cerca de um quarto de tudo que é produzido no mundo -, afeta todos os mercados em questão de horas.
Cronologia
Para explicar as causas da crise, pode¬mos estabelecer uma seqüência de eventos mais importantes, retrocedendo alguns anos. Não é fácil entender tudo, mas isso ocorre porque o mercado financeiro, que movimenta centenas de trilhões de dólares por ano, é de fato muito complicado.
2001A taxa de juros básica dos Estados Unidos, fixada pelo Fed banco central, entra em janeiro de 2001 em 6,5%, mas vai sendo reduzida até 1,75% ao ano, com o objetivo de estimular a economia norte-americana, que estava em recessão (diminuição da atividade econômica). Os juros são uma taxa percentual paga sobre o valor de um empréstimo. Quando o governo derruba a taxa básica de juros, induz a uma redução geral dos juros pra-ticados por bancos e financeiras, visando a tornar mais baratos os empréstimos e a estimular os consumidores a comprar mais (pois as prestações ficam menores) e as empresas a produzir (pois elas tam¬bém tomam dinheiro emprestado, e, além disso, ampliam a produção para atender à demanda crescente de consumidores.
[Ai você pode se perguntar: “E por que as taxas não estavam baixas antes?”. O principal motivo é que, atualmente, os dirigentes dos bancos centrais pelo mundo - e, no caso específico, a direção do Fed -acreditam que, se há um forte movimento de compra por parte da população, con-tínuo e prolongado, os setores produtivos (indústria e agricultura) não conseguem atender à demanda, e começa a haver falta de produtos e elevação dos preços. Isso então levaria à alta da inflação, que aca-ba desvalorizando os salários e os preços e desorganizando a economia. Por isso, em sua política monetária, usam a taxa de juros para tentar controlar a oferta de crédito, o consumo e a inflação].
Outro detalhe: o banco central fixa a taxa básica de juros, e, sobre ela, os bancos colo¬cam mais um tanto para determinar a taxa que cobra dos próprios clientes. Boa parte do lucro dos bancos e de quem vende a crédito sai dos juros pagos pelos consumidores]
O banco central dos EUA baixou os juros a partir de 2001, o primeiro ano do governo de George W. Bush, justamente para estimular a economia, incentivando a expansão da produção e do consumo.
Até essa época, o financiamento de imóveis nos Estados Unidos estava con-centrado numa camada chamada de "pri-me", ou seja, pessoas com alta renda e boa capacidade para quitar as prestações de imóveis. Com a queda dos juros, que pe-sam bastante em financiamentos de longo prazo, começaram a ser concedidos mui¬tos empréstimos para a compra de casas a pessoas com menor poder aquisitivo - os clientes classificados de "subprime". Isso impulsionou a
expansão no país da cons-trução civil e do mercado imobiliário. Para que os clientes "subprime" pudessem con¬tratar esses empréstimos com prestações mais reduzidas, que fossem mais fáceis de ser pagas, os financiamentos chegavam a ser de até 30 anos. Durante o período em que os juros ficaram baixos, esse meca-nismo funcionou bem. Isso ocorreu de 2001 a 2004, com a taxa básica de juros norte-americana variando num patamar baixo, entre 1,75% e 1% ao ano.
2002/2003 Os empréstimos imobiliários foram se multiplicando e atingindo grande volume financeiro. Com as prestações sendo pagas, a cada mês, essas operações se tornaram bastante lucrativas para ban¬cos e empresas de crédito imobiliário. Além disso, elas criavam fundos para os bancos emitirem e negociarem títulos no mercado financeiro, oferecendo como garantia as prestações a ser pagas (por até 30 anos) dos empréstimos "subprime". A aplicação de modernos recursos de enge-nharia financeira levou ao surgimento de uma "bolha especulativa": tomando como base os títulos negociados, as instituições financeiras emitem mais títulos, que são reunidos em carteiras, gerando novos títu¬los, e o valor total dos negócios vão sendo multiplicados várias vezes.
Com a ampliação do crédito imobiliário, cresceu a procura - em linguagem econômica: aumentou a demanda - por casas e apartamentos, fazendo com que os imóveis se valorizassem. As aplicações na construção civil também se tornaram ótimo negócio para investidores, atraindo capitais do mundo todo e ajudando a movimentar o mercado norte-americano.
A elevação dos juros em 2004
torna mais caras as prestações de imóveis e dificulta os pagamentos
2004 A economia norte-americana passa a registrar sinais de inflação. Uma das fontes da inflação é o endividamento vertiginoso do Estado norte-americano, graças, sobretudo, ao corte nos impostos das rendas mais altas - que havia sido feito pelo presidente Bush para impulsionar a economia - e aos gastos astronômicos com a "guerra ao terror", após 11 de setembro de 2001, principalmente com o envio de tropas ao Afeganistão (a partir de 2001) e ao Iraque (2003).
Para tentar combater a inflação, o Fed co¬meçou a elevar a taxa básica de juros a partir de outubro de 2004. Outro motivo para aumentar os juros é incentivar a procura mundial por títulos em dólar, buscando frear a queda da moeda norte-americana no mer¬cado internacional. Uma das conseqüências da subida dos juros, porém, é que o valor das prestações dos empréstimos imobiliários (atreladas à taxa de juros) passou a subir cada vez mais para o cidadão comum.
2006-2007 Entre junho de 2006 e agosto de 2007, a taxa de juros ficou em 5,25% ao ano, até cinco vezes maior que a do perío¬do anterior. Com as prestações mais caras, uma parte crescente dos compradores não conseguiu mais pagá-las. Acontece que, quando se faz um empréstimo imobiliário, a garantia é o próprio imóvel comprado. Assim, os bancos começaram a tomar de volta judicialmente os imóveis de quem parou de pagá-los, promovendo despejos dramáticos por todo o pais e recolocando casas e apartamentos à venda. O aumento súbito da oferta, somado ao encarecimento dos empréstimos, derrubou o preço dos imóveis. Como muitos empréstimos dei¬xaram de ser pagos, e o valor dos imóveis dados como garantia despencou, os títulos com base nos empréstimos perderam valor rapidamente, causando grandes prejuízos a bancos e a empresas imobiliárias.
O resultado foi um efeito dominó, cha¬mado de "crise subprime", que estourou nas bolsas de valores em julho de 2007: milhões de pessoas perderam sua moradia ou estão ameaçadas de perdê-la, bancos e
financeiras ficaram sem condições de conceder novos empréstimos, e a construção civil entrou em
um estado de virtual paralisia. Como os pa¬péis imobiliários faziam parte do patrimônio de grande parte das instituições financeiras, havia forte suspeita sobre a saúde econômica de boa parcela delas, e as bolsas de valores despencaram no mundo todo.
Para evitar uma quebra mundial das bolsas e garantir que o crédito continu¬asse a circular, o Fed e os bancos centrais de outros países desenvolvidos injetaram, em agosto de 2007,400 bilhões de dinhei¬ro público nos mercados monetários. Na prática, passaram a fazer empréstimos de curto prazo para que os bancos pudessem tocar seu dia-a-dia. Antes da crise, os ban¬cos emprestavam entre si de acordo com as necessidades. Com a crescente desconfiança, crédito secou, e os governos tive¬ram de colocar dinheiro. Os acon¬tecimentos têm a ver com a própria origem da palavra crédito: creditum
em latim significa crença, confiança. Se não há confiança, falta crédito.
2008 Uma primeira conseqüência da crise dos "subprime" foi que uma quantidade gigantesca de dinheiro que estava investi¬do em títulos imobiliários migrou para as commodities, ou seja, para matérias-primas, como grãos (milho, trigo, soja), com cotações fixadas para compra e venda em bolsas de valores. Explicando: tem gente que investe o dinheiro em papéis emitidos por empresas, o que é semelhante a emprestar dinheiro às empresas para que possam fazer negócios, com a garantia de que, depois, os bons resul¬tados sejam divididos. Assim, quando o setor de imóveis parou, pareceu uma boa opção para milhares de investidores os fundos de companhias que compram e vendem commodities - que já vinham apresentando bons resultados em anos anteriores. J
O aumento da procura por esse setor provocou uma alta na cotação internacional dos grãos. Esse foi um dos fatores para o encarecimento dos cereais - base da alimentação da população mundial -, o que levou
mais de 20 nações pobres a enfrentar uma crise alimentar no primeiro semestre de 2008. Em sua maioria, são paí¬ses que dependem de ajuda externa para garantir alimentos para a população, e, com os preços mais altos, o auxílio de fora não bastou. Em 13 nações, como Haiti, Costa do Marfim e Indonésia, a alta de preços e a falta de géneros alimentícios provocaram rebeliões e protestos. O próprio desenrolar da crise financeira, nos meses seguintes, derrubou o preço dos alimentos.
Um novo abalo ocorreu em março de 2008, quando o Bear Stearns, o quinto maior banco de investimentos dos EUA, começou a dar sinais de colapso. O Fed coordenou sua venda para o megabanco JP Morgan, abrindo uma linha emergencial de crédito de até 200 bilhões de dólares para instituições em dificuldades. O medo dos investidores agravou a situação dos bancos e provocou uma nova queda mundial nas bolsas de valo¬res. No início de setembro, o governo Bush é levado a assumir totalmente duas gigantes norte-americanas de crédito imobiliário, a Freddie Mac e a Fannie Mae.
Crise aberta
O estopim da atual fase da crise ocorreu em 15 de setembro de 2008, com a quebra do quarto maior banco de investimentos norte-americano, o Lehman Brothers - ins¬tituição tradicional, com 158 anos, que havia investido fortemente em títulos ligados aos empréstimos "subprime". Em cerca de um ano, o valor de suas ações já havia despencado 95%. A quebra do Lehman - que não recebeu ajuda estatal - afetou diretamente outros bancos, fundos de pensão e empresas ligadas a ele nos EUA e no exterior. Mais amplamente, abalou todo o mercado mun¬dial, pois havia o medo de que outros bancos tivessem o mesmo destino. O mercado de empréstimos em dólar parou totalmente.
-
Diante dos riscos ao mercado financeiro global - que, para funcionar, depende da credibilidade para que os compromissos sejam cumpridos -, os governos das principais potências decidiram intervir de forma inédita, colocando trilhões de dólares de dinheiro público para auxiliar maciçamente as empresas em dificuldades. Isso foi feito pelos governos dos EUA, de países europeus e do Japão, entre outros, incluindo o brasileiro. Já no dia seguinte à concordata do Lehman, o Fed emprestou 85 bilhões de dólares à AIG - a maior em¬presa mundial do setor de seguros - para evitar uma nova quebra.
Para tentar barrar o efeito dominó e reverter as conseqüências da crise, o au¬xílio oficial a bancos e empresas atingiu o patamar de trilhões de dólares nos meses seguintes. O motivo para isso é basicamente o seguinte: uma parte significativa do patrimônio dessas instituições financeiras são títulos (que equivalem, em última análise, a obrigações a ser pagas em di¬nheiro), e, quando há desconfiança, muita gente corre para resgatar seu dinheiro no banco; mas uma corrida bancária pode provocar uma onda de falências (quando as empresas não conseguem mais pagar suas dívidas e são obrigadas a fechar as portas). Ao injetarem dinheiro nas insti¬tuições, para que possam reembolsar parte de seus clientes e pagar suas dívidas mais urgentes, os governos tentam evitar uma maré de empresas quebradas.
Diante da situação, os governos tomaram três medidas básicas: emprestar dinheiro às instituições em dificuldades; estatizar as empresas com risco de falência; e, para evitar uma corrida bancária, garantir os depósitos feitos pelos clientes dos bancos. Paul Krugman, renomado economista norte-americano, defende a ajuda oficial em artigo publicado no The New York Ti¬mes no fim de fevereiro de 2009: "Alguns grandes bancos estão perigosamente perto do abismo - na verdade, j á teriam quebrado se os investidores não esperassem um so-corro do governo, caso fosse necessário. (...) Bancos devem ser socorridos. O colapso do Lehman Brothers quase destruiu o sistema financeiro, e não podemos arriscar a que instituições muito maiores como Citigroup; ou Bank of America implodam".
Exportadores perdem em apostas cambiais
Assim que a crise financeira global se agravou, em setembro de 2008, três gran¬des empresas exportadoras brasileiras -Votorantim, Aracruz e Sadia - anunciaram perdas bilionárias. A mudança brusca no câmbio, com o dólar se valorizando rapida¬mente diante do real, após anos de desvalo¬rização, fez com que uma aposta arriscada na alta do real resultasse em grande preju¬ízo. Para entender: no mercado futuro de câmbio (troca de moedas), você pode fazer um contrato comprometendo-se, num de-terminado prazo ã frente, a comprar ou a vender dólares numa certa cotação. Já que o valor não pode ser mudado, a alta ou a baixa da moeda faz um dos lados do negócio ganhar e o outro perder.
Como os exportadores brasileiros lucram mais quando o dólar está alto (pois suas mercadorias passam a valer mais no mercado mundial), essas empresas passaram a usar uma espécie de seguro financeiro para se proteger de um cenário desfavorável com contratos que apostam na manutenção do dólar em baixa (e aí, supostamente, ganha-riam de um jeito ou de outro: com os contra¬tos, no dólar baixo; ou com suas vendas, no dólaralto).Masoque era originalmente uma operação para se proteger foi utilizado por muitas companhias como uma aposta espe¬culativa na desvalorização do dólar. Como, a partir do agravamento da crise, o dólar se valorizou tanto e tão rápido ante o real, sem que ninguém pudesse prever, as operações especulativas com o câmbio - que prometiam ganhos enormes para o dólar baixo - resul¬taram em uma perda gigantesca.
O grupo Votorantim reconheceu um prejuí¬zo de 2,2 bilhões de reais com a liquidação de suas aplicações em papéis chamados derivativos. Fizeram o mesmo a Sadia, uma das principais indústrias brasileiras de ali¬mentos, e a Aracruz Celulose. No caso da primeira, o prejuízo foi de 760 milhões de reais. No da segunda, cerca de 2,5 bilhões de reais. Além dessas perdas, como conseqüência imediata da situação, a credibilidade das empresas exportadoras foi duramente abalada, e o valor de suas ações despencou. Também sofreram grandes perdas muitas companhias médias e pequenas, que haviam feito empréstimos vinculados ao câmbio.
Uma recessão atinge hoje as economias dos Estados Unidos, do Japão e de países da União Europeia
Até agora, ninguém sabe ao certo o valor total dos títulos emitidos com base nos empréstimos imobi- liários. Um fato é patente: ninguém mais quer comprá- los. Por essa razão é que se mantém a forte desconfiança
entre os investidores em relação à saúde financeira dos bancos - incluindo os maiores do mercado -, pelo temor de que continuem contando como parte de seu patrimônio grande volume desses títulos, que, no fim das contas, podem não ter valor algum.
Recessão
O mercado mundial é uma arena em que os grandes agentes - governos, mul¬tinacionais, megabancos - exercem uma influência importante, mas que, na verdade, ninguém controla. E, para se manter em marcha, é preciso que mercadorias sejam produzidas, que as pessoas as comprem, que haja empréstimos financeiros, e os de¬vedores os paguem, e assim por diante.
O aprofundamento da crise depois de setembro provocou algo como um mare¬moto global, mas, em meio ao aparente caos, há uma série de fatos que podemos destacar. As principais conseqüências da crise são as seguintes:
- falta de crédito: a quebra do Lehman atingiu fortemente o sistema financeiro. De imediato, os bancos deixaram de em¬prestar dinheiro (ou seja, de dar crédito). Isso paralisa um dos motores da economia, pois tanto empresas quanto consumidores precisam de crédito para suas atividades econômicas cotidianas. O crédito, que já vinha escasso, piorou muito. Do ponto de vista dos principais governos do mundo, um importante motivo para a ajuda estatal, além de salvar os bancos, pura e simplesmente, é restaurar sua capacidade de fazer empréstimos - pois, sem o financiamento dos bancos à produção, é difícil a retomada do crescimento econômico.
- recessão: a falta de crédito empurra a economia global e a de cada país para uma recessão, ou seja, para a redução da pro¬dução nacional. A situação ideal é que a atívidade econômica das nações cresça, pois elas produzem mais e ficam mais ricas. Isso se mede pela variação do Produto Interno Bruto (PIB), tudo o que um país produz em um ano. Quando a economia cresce mais rápido que a população, amplia-se o PIB por habitante. Vivemos um momento no qual a atívidade econômica em diversos países - como os EUA, o Japão e vários da União Europeia - está se contraindo e a produção, encolhendo. Isso reduz a riqueza e leva os países a dificuldades.
- desemprego: a redução da atívidade tende a levar ao aumento do desemprego, embora não seja uma coisa automática. Mas, com o faturamento das empresas em queda, uma das medidas que os empresários adotam
para cortar custos é demitir funcionários. Isso provoca redução da renda dos consu¬midores e prejudica seu poder de compra, reforçando a paralisia do mercado.
Considerando todos esses aspectos, os principais agentes econômicos buscaram reagir à crise. Cerca de um mês e meio após a quebra do Lehman, os governos já haviam gastado cerca de 7 trilhões de dólares - bem mais de 10% do PIB do mundo - para salvar bancos, de acordo com contas feitas pelo banco central britânico. Além de injetarem dinheiro, as autoridades econômicas de vários países optaram por reduzir drasticamente as taxas de juro de forma coordenada, para estimular as economias. Nos EUA, as taxas desceram a 0%; no Reino Unido, caí-ram para o nível mais baixo em 50 anos; e, na China, houve o maior corte de juros em 11 anos, chegando a 5,85% ao ano.
Apesar das medidas, 2008 entrou para a história dos Estados Unidos como o pior para o mercado de trabalho desde 1945, quando acabou a II Guerra Mundial. No ano passado houve um corte de 2,6 milhões de empregos (veja o gráfico 1).
BRASIL
Logo após a deflagração da crise, havia quem previsse que os países emergentes como Brasil, China, Federação Russa e índia ficariam "descolados" da tormenta, o que não ocorreu - mais um exemplo de que, no mercado globalizado, tudo é interligado. A economia chinesa, que vinha crescendo aci¬ma de 10% ao ano, passou a crescer menos. A desaceleração ocorreu basicamente em razão da queda nas exportações e de inves¬timentos menores no setor imobiliário.
No Brasil, houve queda nas exportações e nas importações, indicando uma desaceleração geral da economia nacional. Várias empresas perderam muito em aplicações ar¬riscadas no mercado financeiro (veja o boxe Exportadores perdem em apostas cambiais). Apesar de ter diversificado seus negócios no exterior, o país ainda tem como principal parceiro comercial os EUA.
Outro dado que mostra a chegada da tormenta ao Brasil foi o recuo na produção da indústria brasileira. Em dezembro de 2008 houve uma retração de 14,5% em comparação com dezembro do ano anterior (veja o gráfico 2) - ainda assim, no ano inteiro, a indústria manteve um cres-cimento de 3,1% em relação a 2007.
Algumas das medidas tomadas pelo go¬verno brasileiro são a redução nos depósi¬tos compulsórios (a parte dos recursos dos bancos que tem de ser depositada no banco central), a fim de aumentar o dinheiro para o crédito; a liberação de 7 bilhões de reais do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), para ampliar os recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), banco público que apoia o setor produtivo; a liberação de 5 bilhões de reais para financiar as exporta¬ções; destinação de 5,5 bilhões de reais ao crédito rural, para garantir o plantio, além de o Banco do Brasil ter reservado 5 bilhões de reais para a agricultura; e um programa de financiamento de capital de giro para as construtoras. Diferentemente de outros países, porém, as autoridades econômicas brasileiras continuam a manter os juros altos, mesmo com a redução. Em fevereiro, os juros básicos fixados pelo Banco Central (a taxa Selic) estavam em 12,75% ao ano.
Resumo - Crise econômica
SUBPRIME Nos Estados Unidos, cha¬mam-se de "prime" as pessoas com alto poder aquisitivo e boas condições para quitar financiamentos. Os clien¬tes "subprime" são uma camada com menor poder aquisitivo e, por isso, com mais dificuldade para pagar empréstimos. Num período de juros baixos. de 2001 a 2004, os"subprime" receberam muitos empréstimos para a compra de imóveis. Com a alta posterior dos juros, as prestações ficaram mais caras e muitos deixaram de pagá-la. A queda no preço dos imóveis e dos títulos emitidos com base nos empréstimos subprime está na origem da atual crise econômica.
TAXA DE JUROS Os juros são uma taxa percentual paga sobre o valor de um empréstimo. A taxa básica de juros é fixada pelo banco central de cada país. Quando o governo derruba esse índice, induz a uma redução geral dos juros praticados por bancos e financeiras, tornando os empréstimos mais baratos, o que estimula os consumidores a com¬prar mais e as empresas a produzir. Os bancos determinam suas taxas de juro livremente, mas partem da taxa básica de juros e acrescentam um tanto. Boa parte do lucro dos bancos sai dos juros pagos pelos clientes.
INFLAÇÃO É um aumento generalizado dos preços, o que provoca uma redução do poder de compra da moeda. Com a inflação, o dinheiro perde valor, tornando necessária uma quantia maior para adquirires mesmos produtos.
COMMODITIES O termo é usado co¬mo referência no mercado financeiro para os negócios internacionais com matérias-primas, como combustíveis, minerais e produtos agrícolas.
RECESSÃO É a redução da produção nacional, ou seja, a diminuição do Produto Interno Bruto (PIB). Em um momento de recessão, a produção di¬minui, reduzindo a renda e levando os países a dificuldades.
Saiu na imprensa
CRISE ECONÔMICA MUNDIAL TAMBÉM ASSOLA A NBA
A crise econômica mundial também assolou a NBA [a liga de basquete dos Estados Unidos].
Com faturamento em baixa, 15 dos 30 times da liga norte-americana de basquete se candidatam a um empréstimo oferecido pelo seu comando central, com juros muito acima dos praticados antes do estouro da crise, ainda no ano passado.
Serão ao todo USS175 milhões (cerca de RS 408 milhões) em caráter quase emergencial. O dinheiro será liberado antes do final do mês, segundo a liga.
Cada clube irá pagar até 8,27% de juros ao ano pelo empréstimo - operações similares no passado ficavam abaixo de 5%. Os executivos da NBA dizem que mais importante do que a taxa de juros é a liga conseguir dinheiro
para repassar aos times, em um momento que o crédito sofre aperto geral e grandes restrições nos EUA.
O dinheiro será usado de forma livre pelas equipes, mas quem se interes¬sou tem como prioridade zerar os prejuízos de suas operações em um momento de queda livre na procura por ingressos - alguns ginásios não chegam a ter nem 50% de sua capa-cidade ocupada.
(...) Até times com boas chances nos playoffs procuram se desfazer de joga¬dores com altos salários. Foi o caso, por exemplo, do New Orleans Hornets, em que a troca por jogadores de pouca ex¬pressão mandou o pivô Tyson Chandler, seu melhor defensor, para o Oklahoma. Assim, deixou de pagar os USS 12,3 mi¬lhões anuais que Chandler recebe.
Folha de S.Paulo, 19/2/2009
VEJA AS CHARGES A SEGUIR
ENEM - GEOGRAFIA - Aula 02 - Profª. Gisele
GRÁFICO 1
SEM TRABALHO Observe como a crise econômica, que já vinha do ano anterior, foi empurrando o desemprego para cima; mas um novo salto ocorre depois de setembro, quando a quebra do banco Lehman Brothers agrava muito mais a situação.
Fonte: Departamento de Trabalho dos EUA
SEM TRABALHO Observe como a crise econômica, que já vinha do ano anterior, foi empurrando o desemprego para cima; mas um novo salto ocorre depois de setembro, quando a quebra do banco Lehman Brothers agrava muito mais a situação.
Fonte: Departamento de Trabalho dos EUA
ENEM - GEOGRAFIA - Aula 02 - Profª. Gisele
GRÁFICO 2
CORTE NO CRESCIMENTO
o gráfico mostra o forte impacto da crise global sobre a produção industrial brasileira. Repare na grande variação negativa a partir de novembro. Os números representam a maior queda desde 1995.
ABALO NA INDÚSTRIA BRASILEIRA
Variação da produção industrial no Brasil entre janeiro e dezembro de 2008, em porcentagem, na comparação com o mesmo mês de 2007
CORTE NO CRESCIMENTO
o gráfico mostra o forte impacto da crise global sobre a produção industrial brasileira. Repare na grande variação negativa a partir de novembro. Os números representam a maior queda desde 1995.
ABALO NA INDÚSTRIA BRASILEIRA
Variação da produção industrial no Brasil entre janeiro e dezembro de 2008, em porcentagem, na comparação com o mesmo mês de 2007
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
ENEM - Física - Aula 02 - Profº Ricardo
Curso Enem 2009.
Física
Aula 2 ( 26/08/2009 )
Tópicos que serão abordados:
• Eletricidade (Energia elétrica, resistência elétrica, potência elétrica)
• Cinemática escalar
Energia elétrica é a forma de energia baseada na geração de diferenças de potencial elétrico entre dois pontos, que permitem estabelecer uma corrente elétrica entre ambos. Mediante a transformação adequada é possível obter que tal energia mostre-se em outras formas finais de uso direto, em forma de luz, movimento ou calor, segundo os elementos da conservação da energia.
É uma das formas de energia que o homem mais utiliza na atualidade, graças a sua facilidade de transporte, baixo índice de perda energética durante conversões.
A energia elétrica é obtida principalmente através de termoelétricas, usinas hidroelétricas, usinas eólicas e usinas termonucleares.
Corrente contínua (CC ou, em inglês, DC - direct current), também chamada de corrente galvânica é o fluxo constante e ordenado de elétrons sempre numa direção. Esse tipo de corrente é gerado por baterias de automóveis ou de motos (6, 12 ou 24V), pequenas baterias (geralmente de 9V), pilhas (1,2V e 1,5V), dínamos, células solares e fontes de alimentação de várias tecnologias, que retificam a corrente alternada para produzir corrente contínua. Normalmente é utilizada para alimentar aparelhos eletrônicos (entre 1,2V e 24V) e os circuitos digitais de equipamento de informática (computadores, modems, hubs, etc.).
Este tipo de circuito possui um polo negativo e outro positivo (é polarizado), cuja intensidade é mantida. Mais corretamente, a intensidade cresce no início até um ponto máximo, mantendo-se contínua, ou seja, sem se alterar. Quando desligada, diminui até zero e extingue-se.
A corrente alternada surgiu quando Nikola Tesla foi contratado por J. Westinghouse para construir uma linha de transmissão entre Niágara e Búfalo, em NY. Thomas Edison fez o possível para desacreditar Tesla, mas o sistema polifásico de Tesla foi adotado. A Corrente Alternada é a forma mais eficaz de se transmitir uma corrente elétrica por longas distâncias. Nela os elétrons invertem o seu sentido várias vezes por segundo.
Há também sistemas de 16,67 Hz em ferrovias da Europa (Suíça e Suécia).
Sistemas AC de 400 Hz são usados na indústria têxtil, aviões, navios, espaçonaves e em grandes computadores.
No Brasil a variação (freqüência) da rede elétrica é de 60 Hz. Na América do Sul, além do Brasil, também usam 60 Hz o Equador, Peru, Venezuela e a Colômbia. Em outros países, por exemplo, a Argentina, a Bolívia, o Chile e o Paraguai, bem como na Europa é usada a freqüência de 50Hz.
A Corrente Alternada foi adotada para transmissão de energia elétrica a longas distâncias devido à facilidade relativa que esta apresenta para ter o valor de sua tensão alterada por intermédio de transformadores. No entanto as primeiras experiências e transmissões foram feitas com Corrente contínua (CC ou, em inglês, DC).
Resistência elétrica é a capacidade de um corpo qualquer se opor à passagem de corrente elétrica pelo mesmo, quando existe uma diferença de potencial aplicada. Seu cálculo é dado pela Lei de Ohm, e, segundo o Sistema Internacional de Unidades (SI), é medida em ohms.
Quando uma corrente elétrica é estabelecida em um condutor metálico, um número muito elevado de elétrons livres passa a se deslocar nesse condutor. Nesse movimento, os elétrons colidem entre si e também contra os átomos que constituem o metal. Portanto, os elétrons encontram uma certa dificuldade para se deslocar, isto é, existe uma resistência à passagem da corrente no condutor. Para medir essa resistência, os cientistas definiram uma grandeza que denominaram resistividade elétrica.
Em sistemas elétricos, a potência instantânea desenvolvida por um dispositivo de dois terminais é o produto da diferença de potencial entre os terminais e a corrente que passa através do dispositivo.
Isto é,
onde I é o valor instantâneo da corrente e V é o valor instantâneo da tensão. Se I está em ampères e V em volts, P estará em watts.
Potência elétrica pode ser definida também como o trabalho realizado pela corrente elétrica em um determinado intervalo de tempo.
Num sistema de corrente contínua em que I e V se mantenham invariantes durante um dado período, a potência transmitida é também constante e igual ao produto .
Cinemática
Referencial
Trata-se de um ponto de referência S em relação ao qual é definido o vetor posição do corpo em função do tempo. Este vetor nos fornece a posição do corpo em um dado instante t. Assume-se geralmente como origem do sistema de coordenadas a posição do corpo no instante inicial t0. Este instante é escolhido arbitrariamente; para fins práticos pode-se dizer que é o instante em que se dispara o cronômetro para a análise do fenômeno.
Trajetória
Um corpo, em relação a um dado referencial S, ocupa um determinado ponto P em um dado instante t. Chama-se de trajetória ao conjunto dos pontos ocupados por um corpo ao longo de um intervalo de tempo Δt qualquer.
Deslocamento
É o vetor resultante da subtração do vetor posição final pelo vetor posição inicial :
É importante notar que o deslocamento é de natureza vetorial, ou seja, são consideradas sua posição, direção e sentido. Em certos casos, porém, como em uma corrida de fórmula 1, é mais interessante trabalhar apenas com a distância percorrida ΔS, que é o comprimento da trajetória realizada. do fator 1 em consequencia da resolução dos segmentos.
Velocidade média
É a taxa de variação da posição de um corpo se esse tivesse se deslocado da posição inicial à final em velocidade constante. Define-se o vetor velocidade média como sendo:
Para fins práticos podemos definir também a rapidez média ou velocidade escalar média. Trata-se do quociente da distância percorrida ΔS pelo intervalo de tempo Δt em que isto foi feito. Em uma corrida de fórmula 1, por exemplo, se levarmos em conta somente o vetor posição, ao final de cada volta o piloto terá desenvolvido 0 de velocidade média! Entretanto, considerando apenas o espaço percorrido pelo piloto, teremos uma velocidade escalar média diferente de 0, portanto, muito mais útil para as análises necessárias. No movimento unidimensional, trabalhar tanto com um quanto com outro nos leva aos mesmos resultados.
Velocidade instantânea
É a taxa de variação da posição de um corpo dentro de um intervalo de tempo δt infinitesimal (na prática, instantâneo). Define-se velocidade instantânea ou simplesmente velocidade como sendo:
Podemos falar também de uma rapidez instantânea, que seria o módulo do vetor velocidade em um dado instante de tempo t.
Aceleração média e instantânea
Aceleração é a taxa de variação da velocidade de um corpo em um dado intervalo de tempo. Assim como a velocidade, ela apresenta suas interpretações em situações mais globais (aceleração média) e em situações mais locais (aceleração instantânea). Elas são definidas como:
(aceleração média)
(aceleração instantânea)
Física
Aula 2 ( 26/08/2009 )
Tópicos que serão abordados:
• Eletricidade (Energia elétrica, resistência elétrica, potência elétrica)
• Cinemática escalar
Energia elétrica é a forma de energia baseada na geração de diferenças de potencial elétrico entre dois pontos, que permitem estabelecer uma corrente elétrica entre ambos. Mediante a transformação adequada é possível obter que tal energia mostre-se em outras formas finais de uso direto, em forma de luz, movimento ou calor, segundo os elementos da conservação da energia.
É uma das formas de energia que o homem mais utiliza na atualidade, graças a sua facilidade de transporte, baixo índice de perda energética durante conversões.
A energia elétrica é obtida principalmente através de termoelétricas, usinas hidroelétricas, usinas eólicas e usinas termonucleares.
Corrente contínua (CC ou, em inglês, DC - direct current), também chamada de corrente galvânica é o fluxo constante e ordenado de elétrons sempre numa direção. Esse tipo de corrente é gerado por baterias de automóveis ou de motos (6, 12 ou 24V), pequenas baterias (geralmente de 9V), pilhas (1,2V e 1,5V), dínamos, células solares e fontes de alimentação de várias tecnologias, que retificam a corrente alternada para produzir corrente contínua. Normalmente é utilizada para alimentar aparelhos eletrônicos (entre 1,2V e 24V) e os circuitos digitais de equipamento de informática (computadores, modems, hubs, etc.).
Este tipo de circuito possui um polo negativo e outro positivo (é polarizado), cuja intensidade é mantida. Mais corretamente, a intensidade cresce no início até um ponto máximo, mantendo-se contínua, ou seja, sem se alterar. Quando desligada, diminui até zero e extingue-se.
A corrente alternada surgiu quando Nikola Tesla foi contratado por J. Westinghouse para construir uma linha de transmissão entre Niágara e Búfalo, em NY. Thomas Edison fez o possível para desacreditar Tesla, mas o sistema polifásico de Tesla foi adotado. A Corrente Alternada é a forma mais eficaz de se transmitir uma corrente elétrica por longas distâncias. Nela os elétrons invertem o seu sentido várias vezes por segundo.
Há também sistemas de 16,67 Hz em ferrovias da Europa (Suíça e Suécia).
Sistemas AC de 400 Hz são usados na indústria têxtil, aviões, navios, espaçonaves e em grandes computadores.
No Brasil a variação (freqüência) da rede elétrica é de 60 Hz. Na América do Sul, além do Brasil, também usam 60 Hz o Equador, Peru, Venezuela e a Colômbia. Em outros países, por exemplo, a Argentina, a Bolívia, o Chile e o Paraguai, bem como na Europa é usada a freqüência de 50Hz.
A Corrente Alternada foi adotada para transmissão de energia elétrica a longas distâncias devido à facilidade relativa que esta apresenta para ter o valor de sua tensão alterada por intermédio de transformadores. No entanto as primeiras experiências e transmissões foram feitas com Corrente contínua (CC ou, em inglês, DC).
Resistência elétrica é a capacidade de um corpo qualquer se opor à passagem de corrente elétrica pelo mesmo, quando existe uma diferença de potencial aplicada. Seu cálculo é dado pela Lei de Ohm, e, segundo o Sistema Internacional de Unidades (SI), é medida em ohms.
Quando uma corrente elétrica é estabelecida em um condutor metálico, um número muito elevado de elétrons livres passa a se deslocar nesse condutor. Nesse movimento, os elétrons colidem entre si e também contra os átomos que constituem o metal. Portanto, os elétrons encontram uma certa dificuldade para se deslocar, isto é, existe uma resistência à passagem da corrente no condutor. Para medir essa resistência, os cientistas definiram uma grandeza que denominaram resistividade elétrica.
Em sistemas elétricos, a potência instantânea desenvolvida por um dispositivo de dois terminais é o produto da diferença de potencial entre os terminais e a corrente que passa através do dispositivo.
Isto é,
onde I é o valor instantâneo da corrente e V é o valor instantâneo da tensão. Se I está em ampères e V em volts, P estará em watts.
Potência elétrica pode ser definida também como o trabalho realizado pela corrente elétrica em um determinado intervalo de tempo.
Num sistema de corrente contínua em que I e V se mantenham invariantes durante um dado período, a potência transmitida é também constante e igual ao produto .
Cinemática
Referencial
Trata-se de um ponto de referência S em relação ao qual é definido o vetor posição do corpo em função do tempo. Este vetor nos fornece a posição do corpo em um dado instante t. Assume-se geralmente como origem do sistema de coordenadas a posição do corpo no instante inicial t0. Este instante é escolhido arbitrariamente; para fins práticos pode-se dizer que é o instante em que se dispara o cronômetro para a análise do fenômeno.
Trajetória
Um corpo, em relação a um dado referencial S, ocupa um determinado ponto P em um dado instante t. Chama-se de trajetória ao conjunto dos pontos ocupados por um corpo ao longo de um intervalo de tempo Δt qualquer.
Deslocamento
É o vetor resultante da subtração do vetor posição final pelo vetor posição inicial :
É importante notar que o deslocamento é de natureza vetorial, ou seja, são consideradas sua posição, direção e sentido. Em certos casos, porém, como em uma corrida de fórmula 1, é mais interessante trabalhar apenas com a distância percorrida ΔS, que é o comprimento da trajetória realizada. do fator 1 em consequencia da resolução dos segmentos.
Velocidade média
É a taxa de variação da posição de um corpo se esse tivesse se deslocado da posição inicial à final em velocidade constante. Define-se o vetor velocidade média como sendo:
Para fins práticos podemos definir também a rapidez média ou velocidade escalar média. Trata-se do quociente da distância percorrida ΔS pelo intervalo de tempo Δt em que isto foi feito. Em uma corrida de fórmula 1, por exemplo, se levarmos em conta somente o vetor posição, ao final de cada volta o piloto terá desenvolvido 0 de velocidade média! Entretanto, considerando apenas o espaço percorrido pelo piloto, teremos uma velocidade escalar média diferente de 0, portanto, muito mais útil para as análises necessárias. No movimento unidimensional, trabalhar tanto com um quanto com outro nos leva aos mesmos resultados.
Velocidade instantânea
É a taxa de variação da posição de um corpo dentro de um intervalo de tempo δt infinitesimal (na prática, instantâneo). Define-se velocidade instantânea ou simplesmente velocidade como sendo:
Podemos falar também de uma rapidez instantânea, que seria o módulo do vetor velocidade em um dado instante de tempo t.
Aceleração média e instantânea
Aceleração é a taxa de variação da velocidade de um corpo em um dado intervalo de tempo. Assim como a velocidade, ela apresenta suas interpretações em situações mais globais (aceleração média) e em situações mais locais (aceleração instantânea). Elas são definidas como:
(aceleração média)
(aceleração instantânea)
terça-feira, 18 de agosto de 2009
ENEM - ORIENTAÇÕES

Caros Alunos do Ensino Médio –
Com o intuito de organizar as aulas do Curso ENEM 2009, vamos disponibilizar o espaço do Blog que contará com aulas dos Professores, Exames, Seleção de questões, Material teórico, Comentários e Orientações, com a finalidade de organizar seu curso da melhor forma possível, acolhendo-o de forma pedagógica completa.
Para isto, postaremos no Blog – ENEM – DISCIPLINA – AULA X – Prof. X
Clique no marcador ENEM 2009. e acompanhe.
Organize-se e consulte o Blog para maior esclarecimento, conforto e praticidade.
BOM CURSO! SORTE E SUCESSO!
Exame do ENEM 2009 – 03 e 04 de Outubro.
Beijos.
Profª. . Anna Maria
EM TEMPO – Consulte também o site - http://portal.mec.gov.br na página do ENEM.
OBS – Abaixo materiais do Curso do ENEM 2009 postados.
ENEM - QUÍMICA - AULA 01 - Profº Renato (04/09/2009)
CURSO ENEM: DISCIPLINA: QUÍMICA
PROFESSOR RENATO CANZIAN
AULA 1: FONTES DE ENERGIA, BIOCOMBUSTÍVEIS E AQUECIMENTO GLOBAL
Em nosso planeta encontramos diversos tipos de fontes de energia. Elas podem ser renováveis ou esgotáveis. Por exemplo, a energia solar e a eólica (obtida através dos ventos) fazem parte das fontes de energia inesgotáveis. Por outro lado, os combustíveis fósseis (derivados do petróleo e do carvão mineral) possuem uma quantidade limitada em nosso planeta, podendo acabar caso não haja um consumo racional.
Principais fontes de energia
• Energia hidráulica: é a mais utilizada no Brasil em função da grande quantidade de rios em nosso país. A água possui um potencial energético e quando represada ele aumenta. Numa usina hidrelétrica existem turbinas que, na queda d`água, fazem funcionar um gerador elétrico, produzindo energia. Embora a implantação de uma usina provoque impactos ambientais, na fase de construção da represa, esta é uma fonte considerada limpa.
• Energia fóssil – formada a milhões de anos a partir do acúmulo de materiais orgânicos no subsolo. A geração de energia a partir destas fontes costuma provocar poluição, e esta, contribui com o aumento do efeito estufa e aquecimento global. Isto ocorre principalmente nos casos dos derivados de petróleo (diesel e gasolina) e do carvão mineral. Já no caso do gás natural, o nível de poluentes é bem menor.
• Energia solar – ainda pouco explorada no mundo, em função do custo elevado de implantação, é uma fonte limpa, ou seja, não gera poluição nem impactos ambientais. A radiação solar é captada e transformada para gerar calor ou eletricidade.
• Energia de biomassa – é a energia gerada a partir da decomposição, em curto prazo, de materiais orgânicos (esterco, restos de alimentos, resíduos agrícolas). O gás metano produzido é usado para gerar energia.
• Energia eólica – gerada a partir do vento. Grandes hélices são instaladas em áreas abertas, sendo que, os movimentos delas geram energia elétrica. È uma fonte limpa e inesgotável, porém, ainda pouco utilizada.
• Energia nuclear – o urânio é um elemento químico que possui muita energia. Quando o núcleo é desintegrado, uma enorme quantidade de energia é liberada. As usinas nucleares aproveitam esta energia para gerar eletricidade. Embora não produza poluentes, a quantidade de lixo nuclear é um ponto negativo.Os acidentes em usinas nucleares, embora raros, representam um grande perigo.
• Energia geotérmica – nas camadas profundas da crosta terrestre existe um alto nível de calor. Em algumas regiões, a temperatura pode superar 5.000°C. As usinas podem utilizar este calor para acionar turbinas elétricas e gerar energia. Ainda é pouco utilizada.
• Energia gravitacional – gerada a partir do movimento das águas oceânicas nas marés. Possui um custo elevado de implantação e, por isso, é pouco utilizada. Especialistas em energia afirmam que, no futuro, esta, será uma das principais fontes de energia do planeta
O que é o biodiesel ?
O biodiesel é um combustível renovável, pois é produzido a partir de fontes vegetais (soja, mamona, dendê, girassol, entre outros), misturado com etanol (proveniente da cana-de-açúcar) ou metanol (pode ser obtido a partir da biomassa de madeiras). Ou seja, um combustível totalmente limpo, orgânico e renovável. A tecnologia de fabricação do biodiesel está em desenvolvimento avançado no Brasil. A Petrobrás possui esta tecnologia e o combustível orgânico já está sendo utilizado em alguns veículos em nosso país. Acredita-se que, para o futuro, este combustível possa, aos poucos, substituir nos veículos os combustíveis fósseis. Será um grande avanço em busca da diminuição da poluição do ar.
Vantagens do biodiesel:
- A queima do biodiesel gera baixos índices de poluição, não colaborando para o aquecimento global
- Gera emprego e renda no campo, diminuindo o êxodo rural
- Trata-se de uma fonte de energia renovável, dependendo da plantação de grãos oleoginosos no campo
- Deixa as economias dos países menos dependentes dos produtores de petróleo
- Produzido em larga escala e com uso de tecnologias, o custo de produção pode ser mais baixo do que os derivados de petróleo.
Desvantagens do biodiesel
- Se o consumo mundial for em larga escala, serão necessárias plantações em grandes áreas agrícolas. Em países que não fiscalizam adequadamente seus recursos florestais, poderemos ter um alto grau de desmatamento de florestas para dar espaço para a plantação de grãos. Ou seja, diminuição das reservas florestais do nosso planeta
- Com o uso de grãos para a produção do biodiesel, poderemos ter o aumento no preço dos produtos derivados deste tipo de matéria-prima ou que utilizam eles em alguma fase de produção. Exemplos: leite de soja, óleos, carne, rações para animais, ovos entre outros
Aquecimento Global: A emissão de gases poluentes tem provocado, nas últimas décadas, o fenômeno climático conhecido como efeito estufa. Este tem gerado o aquecimento global do planeta. Se este aquecimento continuar nas próximas décadas, poderemos ter mudanças climáticas extremamente prejudiciais para o meio ambiente e para a vida no planeta Terra.
Possíveis soluções para diminuir o Aquecimento Global
• Diminuir o uso de combustíveis fósseis (gasolina, diesel, querosene) e aumentar o uso de biocombustíveis (exemplo: biodíesel) e etanol.
• Os automóveis devem ser regulados constantemente para evitar a queima de combustíveis de forma desregulada. O uso obrigatório de catalisador em escapamentos de automóveis, motos e caminhões.
• Instalação de sistemas de controle de emissão de gases poluentes nas indústrias.
• Ampliar a geração de energia através de fontes limpas e renováveis: hidrelétrica, eólica, solar, nuclear e maremotriz. Evitar ao máximo a geração de energia através de termoelétricas, que usam combustíveis fósseis.
• Sempre que possível, deixar o carro em casa e usar o sistema de transporte coletivo (ônibus, metrô, trens) ou bicicleta.
• Colaborar para o sistema de coleta seletiva de lixo e de reciclagem.
• Recuperação do gás metano nos aterros sanitários.
• Usar ao máximo a iluminação natural dentro dos ambientes domésticos.
• Não praticar desmatamento e queimadas em florestas. Pelo contrário, deve-se efetuar o plantio de mais árvores como forma de diminuir o aquecimento global.
• Uso de técnicas limpas e avançadas na agricultura para evitar a emissão de carbono.
• Construção de prédios com implantação de sistemas que visem economizar energia (uso da energia solar para aquecimento da água e refrigeração).
PROFESSOR RENATO CANZIAN
AULA 1: FONTES DE ENERGIA, BIOCOMBUSTÍVEIS E AQUECIMENTO GLOBAL
Em nosso planeta encontramos diversos tipos de fontes de energia. Elas podem ser renováveis ou esgotáveis. Por exemplo, a energia solar e a eólica (obtida através dos ventos) fazem parte das fontes de energia inesgotáveis. Por outro lado, os combustíveis fósseis (derivados do petróleo e do carvão mineral) possuem uma quantidade limitada em nosso planeta, podendo acabar caso não haja um consumo racional.
Principais fontes de energia
• Energia hidráulica: é a mais utilizada no Brasil em função da grande quantidade de rios em nosso país. A água possui um potencial energético e quando represada ele aumenta. Numa usina hidrelétrica existem turbinas que, na queda d`água, fazem funcionar um gerador elétrico, produzindo energia. Embora a implantação de uma usina provoque impactos ambientais, na fase de construção da represa, esta é uma fonte considerada limpa.
• Energia fóssil – formada a milhões de anos a partir do acúmulo de materiais orgânicos no subsolo. A geração de energia a partir destas fontes costuma provocar poluição, e esta, contribui com o aumento do efeito estufa e aquecimento global. Isto ocorre principalmente nos casos dos derivados de petróleo (diesel e gasolina) e do carvão mineral. Já no caso do gás natural, o nível de poluentes é bem menor.
• Energia solar – ainda pouco explorada no mundo, em função do custo elevado de implantação, é uma fonte limpa, ou seja, não gera poluição nem impactos ambientais. A radiação solar é captada e transformada para gerar calor ou eletricidade.
• Energia de biomassa – é a energia gerada a partir da decomposição, em curto prazo, de materiais orgânicos (esterco, restos de alimentos, resíduos agrícolas). O gás metano produzido é usado para gerar energia.
• Energia eólica – gerada a partir do vento. Grandes hélices são instaladas em áreas abertas, sendo que, os movimentos delas geram energia elétrica. È uma fonte limpa e inesgotável, porém, ainda pouco utilizada.
• Energia nuclear – o urânio é um elemento químico que possui muita energia. Quando o núcleo é desintegrado, uma enorme quantidade de energia é liberada. As usinas nucleares aproveitam esta energia para gerar eletricidade. Embora não produza poluentes, a quantidade de lixo nuclear é um ponto negativo.Os acidentes em usinas nucleares, embora raros, representam um grande perigo.
• Energia geotérmica – nas camadas profundas da crosta terrestre existe um alto nível de calor. Em algumas regiões, a temperatura pode superar 5.000°C. As usinas podem utilizar este calor para acionar turbinas elétricas e gerar energia. Ainda é pouco utilizada.
• Energia gravitacional – gerada a partir do movimento das águas oceânicas nas marés. Possui um custo elevado de implantação e, por isso, é pouco utilizada. Especialistas em energia afirmam que, no futuro, esta, será uma das principais fontes de energia do planeta
O que é o biodiesel ?
O biodiesel é um combustível renovável, pois é produzido a partir de fontes vegetais (soja, mamona, dendê, girassol, entre outros), misturado com etanol (proveniente da cana-de-açúcar) ou metanol (pode ser obtido a partir da biomassa de madeiras). Ou seja, um combustível totalmente limpo, orgânico e renovável. A tecnologia de fabricação do biodiesel está em desenvolvimento avançado no Brasil. A Petrobrás possui esta tecnologia e o combustível orgânico já está sendo utilizado em alguns veículos em nosso país. Acredita-se que, para o futuro, este combustível possa, aos poucos, substituir nos veículos os combustíveis fósseis. Será um grande avanço em busca da diminuição da poluição do ar.
Vantagens do biodiesel:
- A queima do biodiesel gera baixos índices de poluição, não colaborando para o aquecimento global
- Gera emprego e renda no campo, diminuindo o êxodo rural
- Trata-se de uma fonte de energia renovável, dependendo da plantação de grãos oleoginosos no campo
- Deixa as economias dos países menos dependentes dos produtores de petróleo
- Produzido em larga escala e com uso de tecnologias, o custo de produção pode ser mais baixo do que os derivados de petróleo.
Desvantagens do biodiesel
- Se o consumo mundial for em larga escala, serão necessárias plantações em grandes áreas agrícolas. Em países que não fiscalizam adequadamente seus recursos florestais, poderemos ter um alto grau de desmatamento de florestas para dar espaço para a plantação de grãos. Ou seja, diminuição das reservas florestais do nosso planeta
- Com o uso de grãos para a produção do biodiesel, poderemos ter o aumento no preço dos produtos derivados deste tipo de matéria-prima ou que utilizam eles em alguma fase de produção. Exemplos: leite de soja, óleos, carne, rações para animais, ovos entre outros
Aquecimento Global: A emissão de gases poluentes tem provocado, nas últimas décadas, o fenômeno climático conhecido como efeito estufa. Este tem gerado o aquecimento global do planeta. Se este aquecimento continuar nas próximas décadas, poderemos ter mudanças climáticas extremamente prejudiciais para o meio ambiente e para a vida no planeta Terra.
Possíveis soluções para diminuir o Aquecimento Global
• Diminuir o uso de combustíveis fósseis (gasolina, diesel, querosene) e aumentar o uso de biocombustíveis (exemplo: biodíesel) e etanol.
• Os automóveis devem ser regulados constantemente para evitar a queima de combustíveis de forma desregulada. O uso obrigatório de catalisador em escapamentos de automóveis, motos e caminhões.
• Instalação de sistemas de controle de emissão de gases poluentes nas indústrias.
• Ampliar a geração de energia através de fontes limpas e renováveis: hidrelétrica, eólica, solar, nuclear e maremotriz. Evitar ao máximo a geração de energia através de termoelétricas, que usam combustíveis fósseis.
• Sempre que possível, deixar o carro em casa e usar o sistema de transporte coletivo (ônibus, metrô, trens) ou bicicleta.
• Colaborar para o sistema de coleta seletiva de lixo e de reciclagem.
• Recuperação do gás metano nos aterros sanitários.
• Usar ao máximo a iluminação natural dentro dos ambientes domésticos.
• Não praticar desmatamento e queimadas em florestas. Pelo contrário, deve-se efetuar o plantio de mais árvores como forma de diminuir o aquecimento global.
• Uso de técnicas limpas e avançadas na agricultura para evitar a emissão de carbono.
• Construção de prédios com implantação de sistemas que visem economizar energia (uso da energia solar para aquecimento da água e refrigeração).
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